Dexter é um gênio e as meninas são responsáveis por uma cidade

Todo dia é um bom dia para a ciência, diz Dexter, menino invocado que vive entre dois mundos. No primeiro, é o filho esquecido de pais ocupados e distraídos, que não sabem exatamente quem é o sujeitinho que mora no quarto ao lado. No segundo, é um gênio que inventa máquinas mirabolantes para seu próprio triunfo pessoal, num laboratório escondido em sua casa.Crianças e adultos vivem em "bolhas" separadas no universo de Genndy Tartakovsky, embora ele não seja um moralista em essência. Sua visão é compreensiva, cheia de atenuantes. A mãe de Dexter vai até a ópera de avental e luvas de cozinha. O pai é um desajeitado que só inventa de brincar com o filho quando algum psicólogo de plantão ordena.As Meninas Superpoderosas carregam nos ombros a responsabilidade de toda uma cidade. Mas todo o seu apoio emocional vem de um indivíduo ausente, o Professor. Quando resolvem ensinar a cidade a se defender sozinha, têm de apelar para um didatismo exasperante, patético.Tartakovsky está com inteira razão ao dizer que o modo como se conta a história é que mudou muito desde os primórdios dos cartuns. O ponto de vista do narrador muda sempre. Em recente maratona Dexter no Cartoon Network, ele chegou a contar uma história do ponto de vista de uma criança que tivesse a possibilidade de escrever um roteiro para Dexter.A "criança" era o próprio Tartakovsky e a história era criada na hora, com correções freqüentes e um desenho tosco, como se um jovem espectador tivesse invadido o estúdio e trancado a equipe lá fora.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.