Desvendando o mistério das horas

Um dos mais fortes candidatos ao Oscar 2003, com nove indicações, As Horas estréia hoje no Brasil. Dirigido por Stephen Daldry, de Billy Elliot, o filme é baseado no livro homônimo de Michael Cunningham, vencedor do Pulitzer de 1999, que, por sua vez, é inspirado em Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf. O livro de Cunningham era considerado "inadaptável" por seus monólogos. A tarefa coube ao dramaturgo inglês David Hare, que pela primeira vez concorre ao Oscar. Em entrevista ao Estado, Hare fala do desafio de "furar e traduzir essa bolha de vozes internas que Michael criou brilhantemente para suas personagens" (leia mais).O livro de Virginia, um clássico fundador do romance moderno, é a chave do filme. Retrata um dia na vida de uma mulher, como James Joyce havia feito com Ulisses, mas então narrando um dia na vida de um homem. Já no livro de Cunningham, este dia se alonga num arco de tempo de 60 anos, vivido por três mulheres diferentes, sempre angustiadas, a começar pela própria Virgina Woolf, papel que obrigou Nicole Kidman a usar nariz postiço e peruca. Em troca, pode lhe render o Oscar de melhor atriz. Nicole está impressionante no filme, e o elenco inclui ainda outros nomes do supra-sumo do cinema americano: Julianne Morre (que concorre como coadjuvante) e Meryl Streep. E há ainda o grande Ed Harris, de Pollock, que também disputa o Oscar de coadjuvante. Ao Estado, Harris fala de seu papel, um brilhante poeta homossexual que está morrendo de aids (leia mais).O filme começa com o suicídio de Virgina Woolf, em 1941. A partir daí, desenvolvem-se três histórias, em diferentes épocas. A de Nicole vai de 1923 e termina em 1941. A de Julianne passa-se nos anos 50, e a de Meryl Streep em 2001, na Nova York de hoje. O filme trata de criatividade, suicídio, aids, relações familiares, morte. Na sua cena mais impressionante, Nicole/Virginia explica seu conceito de humanidade e diz que não se pode viver experiências intensas de uma maneira isolada, evitando a vida. Para afirmar, pelo contraste, a importância da vida. É o que também diz Ed Harris, no papel do amigo de Meryl.Para costurar as diferentes fases do filme, em muito contribui a trilha sonora criada por Philip Glass. Concorrendo ao Oscar, o compositor declara ao Estado que, desta vez, optou por ser bem intimista e usar bastante o som do piano. "O filme oferece uma função especial à música", comenta Glass, de seu escritório em Nova York. "Muitas vezes, a trilha tem a mesma tonalidade que a voz das personagens" (leia mais).

Agencia Estado,

28 de fevereiro de 2003 | 11h58

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