Destaques da Mostra, Lars Von Trier e diretor palestino

Para Dogville, Lars Von Trier havia se inspirado na Ópera dos Três Vinténs, de Bertolt Brecht e Kurt Weill. Foi assim que surgiu a história de Grace (Nicole Kidman). Quando ela abandona Dogville destruída e seus habitantes massacrados, a vingativa Grace diz a frase definitiva - "Se existe uma cidade que o mundo inteiro acharia melhor que desaparecesse, é esta." Grace agora, em Manderlay, vai parar numa vasta plantação situada em algum ponto do Alabama, nos anos 1930. Ela descobre uma estrutura que continua escravocrata, 70 anos após a abolição da escravidão nos EUA. Grace tenta mudar aquele mundo. Não consegue. Promove novo banho de sangue. Bryce Dallas Howard, como Grace, usa o mesmo vestido preto de Nicole Kidman em Dogville. É uma forma de mostrar que a personagem é a mesma, mas o diretor assinala uma evolução entre ambas. No filme anterior, Grace via tudo, absorvia tudo e só agia no fim. "A idéia é compor uma trilogia iniciática sobre Grace. No fim de Dogville, ela começava a possuir um certo poder e dizia que queria usá-lo para construir um mundo melhor." A violência que instaura compõe aquilo que o diretor chama de "comédia moral ambígua". Ele reconhece o grau de provocação de Manderlay, mas está muito satisfeito com o próprio filme. Manderlay, de Lars von Trier. 2.ª (24), 22h, no Reserva Cultural 2; 4.ª (26), 19h, no Unibanco Arteplex 1; e 2.ª (31), 21h30, no Metrô Santa Cruz 9 Um drama explosivo sobre homens-bombasO filme Paradise Now do palestino Hany Abu-Assad é a superatração desta segunda-feira. Prepare seu coração e mente - o que você vai ver não é brincadeira. Abu-Assad conta a história de dois amigos, Khaled e Said. São palestinos. Recrutados para missão suicida - explodir um carro-bomba em Tel-Aviv -, eles preparam o ritual de mártires, mas se perdem um do outro e iniciam desesperada busca para se reencontrar. Paradise Now era a grande aposta para melhor filme do Festival de Berlim, em fevereiro. Um grande tema político, uma realização excepcional. O júri amarelou e saiu pela tangente premiando com o Urso de Ouro um filme impactante, mas nem de longe tão forte - a Carmem sul-africana (e toda cantada) de Mark Dornford-May, com a extraordinária Pauline Malefante. Mas o júri redimiu-se, parcialmente, dando a Paradise Now o prêmio para o melhor filme europeu da competição. Paradise Now, de Hany Abu-Assad. Hoje, 17h40, Unibanco Arteplex 1. 3.ª, 21h30, Metrô Santa Cruz 9. 2.ª. (31), 21h40, Esp. Unibanco 1

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