Desfalques e protestos rondam o Oscar

Atores e atrizes contrários à guerra no Iraque vão exibir broches, faixas e fitas de protesto na cerimônia de Oscar. É o que promete o produtor e diretor Robert Greenwald, um dos fundadores Artist United to Win Without War ("Artistas Unidos para Ganhar sem Guerra"). Segundo ele, a iniciativa já conta com o apoio de Ben Affleck, Kirsten Dunst, Jake e Maggie Gyllenhaal, Dustin Hoffman, Jessica Lange, Meryl Streep, Pedro Almodóvar e os músicos do U2.Enquanto isso, a Academia tenta conter a debandada de estrelas. Will Smith foi o primeiro astro do primeiro time a anunciar que não vai à festa, hoje. O motivo é "atmosfera criada no país desde o início das operações militares no Golfo". Segundo seu assessor, porém, ele "não deseja passar uma mensagem política, é apenas uma questão pessoal". Também os estilistas GiorgioArmani e Donatella Versace, figurinhas fáceis nas últimas edições, desistiram do Oscar 2003.Já o diretor finlandês Aki Kaurismaki deixou clara sua motivação política ao informar, ontem, que não vai à festa. Disputanto o Oscar de melhor filme estrangeiro por O Homem sem Passado, Kaurismaki escreveu à Academia que "nós não estamos vivendo um dos momentos mais glamourosos da história da humanidade" e que "nem ele nem niguém da (produtora) Sputnik Ltd pode participar da festa do Oscar ao mesmo tempo em que o governo dos Estados Unidos prepara um crime contra a humanidade por interesses econômicos vergonhosos".A lista de desfalques ainda pode crescer. Especulou-se ao longo do dia que as atrizes Cate Blanchett, Meg Ryan e Kate Hudson, entre outros, poderiam não ir à cerimônia. A assessoria de Cate já tratou de desmentir o rumor. O anfitrião da festa, Steve Martin, também foi alvo de especulações. Correram rumores de que ele só vai comparecer por ser o apresentador do Oscar este ano. Oficialmente, o Oscar está mantido para o domingo. Em entrevista coletiva na terça-feira, porém, o presidente da Academia, Frank Pierson, e o produtor da festa, Gil Cates, admitiram que podem atrasar ou interromper a transmissão da festa, e até adiá-la. Mas deram por certo que o tom será bem mais sóbrio do que o planejado. As piadas, o desfile de estrelas, os clipes, os textos, tudo está sendo enxugado e reeditado em respeito à tensão mundial.Para muitos, porém, festa e guerra simplesmente não combinam. Um sinal claro foi dado pela própria ABC, detentora dos milionários direitos de transmissão da festa. A emissora comunicou hoje que o tradicional programa pós-Oscar de Barbara Walters, com comentários e entrevistas, já foi cancelado.

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