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Desejo de consumo move personagens de 'Amor por Contrato'

Longa traz Demi Moore e David Duchovny como uma falsa família para vender produtos

Marcio Claesen, Estadão.com.br

23 de dezembro de 2010 | 12h22

Muitos criticam o mundo irretocável apresentado pelos “comerciais de margarina”. Pai e mãe recebendo beijos dos filhos que acordam sorridentes em uma mesa farta de café da manhã. Imagine quando essa família não está na tela, mas é sua vizinha e o bom dia é dado para você? Esse é o mote do longa Amor por Contrato, que estreia nesta sexta-feira, 24, em São Paulo, Rio, Curitiba e mais 16 cidades do País.

Steve (David Duchovny) e Kate Jones (Demi Moore) são, aos olhos do pacato subúrbio chique de Atlanta, nos Estados Unidos, um casal que se ama e mantém, mesmo já com filhos bem crescidos, o desejo um pelo outro. Algo que fica nítido em suas rápidas  - porém calorosas – demonstrações de afeto. O que ninguém sabe, entretanto, é que eles formam uma família de mentira, tão falsa quanto as dos comerciais, mas com o mesmo objetivo daquelas: vender produtos.

Os Jones são, sempre, os primeiros a ter as novidades do mercado. São tênis modernos para fazer jogging, mini-carros e celulares de última geração que saem da casa da família Jones e repercurtem por toda a vizinhança. Logo, todos já possuem os produtos e exibem o orgulho de estarem no clube dos melhores, dos felizes.

De premissa interessante, esse clã fake lembra, de certa forma, Segredos em Família, estreia na direção de Fernando León de Aranoa, em 1996, que se consagraria internacionalmente seis anos depois com Segunda-feira ao Sol. Em “Segredos”, Aranoa também montou uma família artificial, que era contratada por um homem solitário para se passar por entes queridos em seu aniversário. Em Amor por Contrato, no entanto, o diretor Derrick Borte não é tão engenhoso quanto o espanhol.

No material de divulgação do filme, Borte afirma que o consumismo e a sociedade de consumo são apenas o pano de fundo para as histórias dos personagens que têm seus próprios problemas. É neste ponto que o longa falha. Os dramas vividos pelos filhos Jenn (Amber Heard) e Mick (Ben Hollingsworth) não ultrapassam a camada superficial da história e esbarram em clichês.

Se o personagem de Duchovny é bem construído, colocando-o sempre no limiar do que é real e do que é trabalho nesta família, o ator não o sustenta, faltando-lhe talvez o magnetismo de Fox Mulder, da série Arquivo X, ou o sex appeal de Hank, de Californication. Muito menos exigida, Demi Moore cria a empatia necessária de uma verdadeira empreendedora e continua muito bela. É possível que você deixe escapar alguns dos diálogos para tentar adivinhar a idade em seu rosto. Não vai ser fácil. Se são cremes, cirurgia ou outro tipo de tratamento que a deixam com tanta jovialidade, a pergunta que fica após a sessão de cinema é onde contratá-los ou comprá-los.

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