Suzanne Plunkett/Reuters
Suzanne Plunkett/Reuters

Depois do Oscar 2014, Cuarón quer colocar ‘Gravidade’ ‘para dormir’

Diretor que dedicou cinco anos ao projeto conta que quer retomar vida cotidiana após a premiação

Antonio Martín Guirado, EFE

17 de fevereiro de 2014 | 16h21

Há quase cinco anos a cabeça do cineasta Alfonso Cuarón está no espaço. Desde que começou a preparar Gravidade, e há menos de duas semanas do Oscar 2014, em que o prêmio concorre em dez categorias, o diretor mexicano não vê a hora de “encostar” o filme e voltar à vida cotidiana. “Quero voltar a viver. Vou comemorar se ganhar o Oscar ou não, porque as festas são boas. Meu modo de celebrar é terminar esse processo, colocar Gravidade para dormir em sua caminha e me desvencilhar dele. Quero voltar à minha vida, porque nem me lembro de como ela era”, disse por telefone a um grupo de jornalistas. “Tudo o que quero é parar de pensar nesse filme e que minha única preocupação seja chegar a tempo para deixar meus filhos na escola”, afirmou o cineasta de 52 anos.

As últimas semanas forma recompensadoras para Cuarón. Ele venceu o Globo de Ouro de melhor diretor e os prêmios dos sindicatos dos produtores e dos diretores dos Estados Unidos. No último domingo, ganhou em seis das 11 categorias nas quais concorria no Bafta, a maior premiação do cinema britânico. Protagonizado por Sandra Bullock e George Clooney, Gravidade relata a odisséia de dois astronautas que se perdem no espaço sem contato com a Terra e sem esperança de serem resgatados. O título usa com talento o 3D para recriar a tensão da situação em que se encontram, e já arrecadou quase US$ 700 milhões em todo o mundo.

Há meses Cuarón tem evitado falar de seu próximo trabalho. O motivo é simples: ainda não decidiu o que fará em seguida e quer priorizar as pequenas coisas em sua vida. “Mais do que aproveitar essa êxito, o que mais quero é dormir”, diverte-se. “O principal para mim é ter tempo livre. Por isso estou gravitando ao redor de projetos que se relacionem com meus filhos. Eles ainda são pequenos, e quero me assegurar de que minhas ausências não sejam tão severas.”

O cineasta já tem experiência no que diz respeito ao Oscar. Já passou por isso anos atrás com Filhos da Esperança. Mas sente que já dedicou tempo demais à suas obras, e quer compensar o tempo que perdeu com a família. “Meus filhos estão na Europa, e passo o tempo voando de tempos em tempos. As premiações são um carnaval, uma grande festa, mas, por mais bonito que tudo pareça, no fim do dia, um menino de 9 anos quer que seu pai esteja lá para levá-lo à escola.

Na verdade, se dissessem ao Alfonso de 15 anos de idade que estou vivendo isso, ele não acreditaria. Mas quero minha vida de volta”, disse. Mais que a estatueta, o cineasta diz que já conseguiu o prêmio que mais lhe importa, que é a conexão com o público. Não gosta de ser considerado um dos favoritos da categoria principal, já que acredita que se trata de algo circunstacial. “Alguns filmes que venceram foram esquecidos. Outros, não levaram nada, e se tornaram clássicos. Só o tempo dirá qual é o lugar de Gravidade.”

Um ponto importante é reforçado pelo criador ao citar que agradece o apoio que tem recebido de seu país natal, mas que o triunfo de Gravidade, uma coprodução britânica e norte-americana, em nada ajuda a indústria cinematográfica mexicano. Cuarón cita casos bem sucedidos, como Heli, de Amat Escalante e Carlos Reygadas, que foi premiado em Cannes, ou Club Sándwich, laureado em San Sebastián.

"O cinema mexicano tem se tornado referência no mundo, mas não tem o apoio que deveria ter. É muito triste que alguns cineastas locais sintam que, para poderem se desenvolver, tenham de sair do país.”

TRADUÇÃO DE CLARICE CARDOSO
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