AP Photo
AP Photo

Depois de ser anfitrião da cerimônia do Oscar por nove vezes, Billy Crystal não descarta uma décima

O ator Billy também é o produtor executivo de 'Caindo em Pé', ambientado na sua cidade de infância, Long Beach, em Nova York

John Carucci, AP / NOVA YORK

08 de fevereiro de 2021 | 11h30

Depois de ter sido o anfitrião na cerimônia do Oscar por nove vezes, Billy Crystal não rejeitaria uma décima vez. Mas o ator de 72 anos disse preferir que mais atenção seja dada ao seu filme independente, de baixo orçamento, Caindo em Pé. Quem sabe até uma indicação a um prêmio da Academia? “Seria incrível. Estou realmente comovido com a indicação e não apenas pensando em voltar a ser o anfitrião”, disse ele.

No filme, lançado em fevereiro de 2020, Billy interpreta um dermatologista alcoólatra que se torna amigo de um comediante que passa por uma fase ruim, interpretado por Ben Schwartz. Billy também é o produtor executivo do filme, ambientado na sua cidade de infância, Long Beach, Nova York. Uma cena importante do filme foi gravada na igreja onde ele se casou em 1970.

Depois de aparecer em filmes clássicos de Hollywood, como Amigos, Sempre Amigos e Harry e Sally, Feitos Um Para o Outro, Billy Crystal disse, em tom de pilhéria, que seu projeto mais recente foi um pouco menor. “Meu personagem é Marty, sem sobrenome, tão pequeno foi o orçamento. Nem mesmo foi possível lhe dar um sobrenome”.

Em uma entrevista pelo Zoom, o ator falou das suas raízes, sua história como apresentador da cerimônia do Oscar e a volta à sua cidade para filmar.

Voltar a Long Beach para rodar o filme, lhe trouxe lembranças?

Um dia, quando estava na cadeira de maquiagem, preparando-me para a filmagem, estava sentado num pequeno espaço improvisado porque não havia camarins, chegamos até a mudar de roupa dentro do carro e trocávamos de roupa no banheiro quando filmamos num restaurante ou num bar. Mas ali sentado, fazendo a maquiagem, o cheiro do make-up e do pó me fez lembrar de uma peça de teatro em que atuei no terceiro ano da escola primária. Lembro-me que fiquei emocionado com meus pais ali na plateia e o público. Tive vontade de sair. Estou preso a isto desde que era criança.

Sua atuação foi elogiada. Agora que chegou a temporada de premiações, é algo no que tem pensado?

Tenho de admitir que só o fato de ter sido mencionado é muito agradável. E ser premiado ou não é uma possibilidade remota. Mas é muito satisfatório ser indicado. Mas simplesmente quero que as pessoas assistam ao filme porque é um pequeno gigante que não teve nem orçamento para a publicidade.

Você fez muita coisa durante a sua carreira, desde shows de stand-up até grandes filmes, dirigiu e atuou na Broadway. Quando soube que isto era o que queria fazer?

Quando tinha quatro ou cinco anos de idade, parava na frente da minha família com meus dois irmãos, memorizávamos as cenas costumeiras de Carl Reiner e Sid Caesar e Howie Morris e as repetíamos. Não achávamos que era plágio. Não sabíamos. Simplesmente elas nos encantavam e nos influenciavam muito. Depois comecei a fazer meus próprios esquetes e imitava meus parentes porque o sotaque deles era interessante. Eram pessoas maravilhosas, familiares da Europa Oriental e Rússia, com rostos e sons incríveis. Eles eram muito alegres, adoravam rir e se encantavam com nossas atuações. E eu adorava também. Simplesmente continuei fazendo isso.

Essa sua inclinação o ajudou nas suas muitas apresentações do Oscar?

Honestamente, não parecia muito diferente, salvo que o mundo o está vendo. Realmente a pessoa tem de estar ali e ser esse tipo ou esse indivíduo que cumpre o papel de mestre de cerimônias. Inseri minha própria marca nisto e foi divertido. E deu certo. E foi um passo adiante porque estava começando em 1990, ou seja, Harry e Sally havia sido lançado recentemente e antes dele o filme de comédia chamado Jogue a Mamãe do Trem. O que me conferiu o lugar no qual me encontrava como membro do setor cinematográfico. Assim, quando comecei tinha mais credibilidade como membro da comunidade e esses primeiros anos atuando como mestre de cerimônias foram maravilhosamente emocionantes e gratificantes.

Este ano, a cerimônia do Oscar provavelmente não terá um público presente. No ano passado não tivemos um anfitrião. Qual sua expectativa?

De fato, está muito difícil. Parece-me que fizeram um trabalho muito bom na cerimônia virtual do Emmy. Jimmy Kimmel fez um trabalho maravilhoso. A situação que atravessamos é tão terrível que qualquer tipo de entretenimento que pudermos oferecer às pessoas para aliviar a dor é muito importante. Acho que se conseguirmos encontrar a maneira de fazer isto e bem, e celebrar parte do trabalho e parte do espetáculo, ótimo. Mas lembro que, em um dos anos em que fui anfitrião, enfrentávamos uma terrível recessão, a economia estava péssima, eu disse (uma piada que fazia parte do meu monólogo): “isto é o que queremos ver, milionários dando estatuetas de ouro um para o outro?” Por isso, acho que precisamos encontrar realmente a forma correta de fazê-lo.

Se lhe pedirem, voltará a apresentar?

Não sei. Vamos ver. Não sei se irão me pedir. Isto seria algo muito difícil a considerar, mas veremos.

/ TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.