FABIO MOTTA/ESTADÃO
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Depois de interpretar vilão na novela 'Império', Caio Blat brilha em dois filmes

O ator protagoniza 'Meus Dois Amores', de Luiz Henrique Rios, e o belo 'Ponte Aérea', uma história de amor de Júlia Rezende

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

21 Março 2015 | 16h00

Caio Blat mal saiu do ar como José Pedro, o filho preferido de Maria Marta/Lília Cabral na novela Império – e que se revelou o vilão Fabrício Melgaço da trama de Aguinaldo Silva –, e já está nos cinemas como protagonista de Meus Dois Amores, de Luiz Henrique Rios, pelo qual tem o maior carinho. Na próxima quinta-feira, 26, tem mais Caio Blat e ele amplia seu circuito com o belo Ponte Aérea, de Júlia Rezende, que, mesmo sendo lançado em muito mais salas do que Meus Dois Amores, não terá todo o espaço que suas grandes qualidades merecem. É muito Caio Blat? Não se preocupe, ele dá conta. E é modesto. Numa visita ao set de Ponte Aérea, Caio já havia cantado a bola para o repórter – “Não te falei? O filme é dela (refere-se a Letícia Colin, que coestrela Ponte Aérea). Essa garota é sensacional.”

É muita exposição, mas Caio promete parar – um pouco. Para tomar fôlego, repensar a vida. A experiência da novela foi intensa. “Maria (Ribeiro, sua mulher) e eu estávamos fora da Globo e voltamos fazendo um casal, o que foi muito bacana. Mas os personagens se separaram, cada um seguiu sua história e aí as coisas ficaram mais interessantes ainda.” Parte da mídia forçou a barra e tentou transformar a separação do casal na ficção em algo real. “Começaram a circular as histórias da separação, a gente desmentiu, os sites continuaram insistindo. Não íamos bater boca. Resolvemos ignorar.”

Mas não tem separação, mesmo? “Não, cara, a gente tá bem.” Se houvesse, o timing seria no mínimo inapropriado. Maria Ribeiro acaba de publicar um livro (Trinta e Oito e Meio), que dedica ao marido, e no qual declara seu grande amor por ele. O repórter brinca – “Devia ter segurado o livro, então, né?” O livro é ótimo, bem escrito, permeado de observações humanas – e críticas, e comportamentais, e artísticas – relevantes. Nada de autoajuda, coisa boa de verdade. Caio alegra-se. “Eu também adorei. Gostaria de fazer uma viagem com ela, mas não dá para pensar em nada grande. Maria tem o programa de TV, a gente tem os meninos.”

A entrevista foi feita no começo da semana. Caio ainda se recuperava da loucura que foi o final de Império. “Cara, foi muito engraçado, surreal. Quando circulou que um de nós seria o vilão, todo o elenco entrou numa de paranoia, fazendo caras e bocas, lançando olhares dúbios, para levantar suspeita. Eu dava minha bandeira quando o diretor chegou e me disse – ‘Agora, chega. Você é o cara. Segura a onda para não dar de bandeja.’ Tomei um susto, porque nada me preparava para aquilo. Não sei nem como gravei aquelas cenas finais.”

Foram 20 horas na locação, as equipes de cinegrafistas se revezando no set e Caio, Alexandre Nero (o Comendador) e Othon Bastos (o mordomo) sendo levados ao limite do estresse do cansaço. “Era um texto muito louco. De repente, eu enlouquecia e ficava dizendo aquelas coisas. ‘Eu sou o sol, o universo se curva perante mim.’ Não sei de onde o Aguinaldo (Silva) tira essas coisas, mas como exercício foi muito forte e eu ainda estava ali com meu mestre, o Othon (Bastos). Othon foi meu pai, em meu primeiro trabalho. Tenho a maior admiração por ele.” Caio avalia o impacto de Império para ele. “Foi muito bacana para nós (a mulher e ele). A emissora aprovou, voltamos em alto estilo.”

Sobre os filmes, ele se enternece. Meus Dois Amores foi feito há coisa de três anos. “É uma adaptação de Guimarães Rosa, e eu amo esse universo. Sempre adorei Mazzaropi, Pedro Malasartes. Claro que não é a mesma coisa. Guimarães é um gênio, mas eu acho que existem momentos do filme em que ele está lá.” Elogia o diretor. “Luiz Henrique (Rios) foi muito esperto. Fez o filme, achou que havia ficado pobre, televisivo. E deu carta branca ao montador para buscar o cinema ali dentro. Tenho ótima lembrança da filmagem. Me amarrei na mula, queria que fosse minha. E foi uma experiência única. Consegui levar os meninos, o Bento e o João, para ver um filme meu. Em geral, tem sexo, violência, drogas. Aqui, não. Cada um sentado num joelho, eles curtiram, o que me deixou muito contente.”

Três anos para chegar aos cinemas. E Meus Dois Amores tem sorte. Outro Guimarães Rosa – o admirável A Hora e a Vez de Augusto Matraga, de Vinicius Coimbra, que venceu o Festival do Rio também há três anos –, até agora não estreou. E tem grandes nomes, tem Globo. O que ocorre com o cinema brasileiro? O que ocorre de verdade? Ponte Aérea, que você poderá ver a partir de quinta-feira, 26, é muito melhor do que o trailer. Inclusive, o trailer não vende adequadamente o filme. Um filme geracional da diretora, inspirado pelas ideias do sociólogo polonês Zygmunt Bauman sobre o conceito do ‘amor líquido’. Um filme sobre a fragilidade dos laços humanos no mundo atual.

Poderia ser um filme sobre a geração atual, para os jovens de hoje. Vai interessar a todos. “Júlia (Rezende) conseguiu falar de amor de forma universal, o que pode atrair o público de todas as idades.”O repórter cita Todas as Mulheres do Mundo, de Domingos Oliveira. Ponte Aérea é o Todas as Mulheres de 2015, quase 50 anos depois do original. “É, tem essa pegada do Domingos, do Woody Allen”, entusiasma-se Caio. Domingos mora em seu coração. Maria Ribeiro dedicou-lhe um documentário. E Caio, agora, após a paradinha, vai codirigir com Domingos. O famoso filme autobiográfico sobre o cafofo, o apartamento de Domingos em Copacabana. Lá, ocorreram grandes festas. Acordavam 20 pessoas no dia seguinte. Lá Domingos amou Leila Diniz. “Ele me chamou para fazer seu papel quando jovem, e para codirigir. Estou superfeliz.”

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