Tiziana FABI / AFP
Tiziana FABI / AFP

Depois de brilhar em 'The Crown’, Vanessa Kirby é sensação do festival com dois filmes na competição

Conhecida pela interpretação da princesa Margaret, a atriz estreia 'Pieces of a Woman' e 'The World to Come'

Mariane Morisawa ESPECIAL PARA O ESTADO , O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2020 | 05h00

Vanessa Kirby é a sensação do 77.º Festival de Veneza, que termina neste sábado, 12. A atriz inglesa, conhecida por sua interpretação da princesa Margaret na primeira fase de The Crown, está em dois filmes na competição: Pieces of a Woman, primeira produção em inglês do húngaro Kornél Mundruczó, e The World to Come, segundo longa da norueguesa radicada nos EUA Mona Fastvold. “Foi maravilhoso estar no festival. Dá esperança de dias melhores”, disse a atriz em entrevista ao Estadão, por telefone. O Festival de Veneza é o primeiro a ser realizado de maneira presencial pós-pandemia. 

Os dois filmes têm um tema em comum: o luto. Em Pieces of a Woman, Martha (Kirby) é uma jovem mãe que luta para enfrentar a tragédia a seu modo, enquanto lida com a sua mãe (Ellen Burstyn), sobrevivente do Holocausto, o marido, Sean (Shia LaBeouf), e a parteira (Molly Parker).

Martha é a primeira protagonista da atriz de 32 anos. A história sobre um filho perdido é bastante pessoal para o diretor e sua mulher e roteirista do filme, Kata Wéber, que não entram em detalhes, mas se inspiraram em sua própria experiência. Kata também é filha de sobreviventes do Holocausto e queria explorar como processamos o trauma e sobrevivemos. 

Em The World to Come, Vanessa Kirby é Tallie, a nova vizinha de Abigail (Katherine Waterston), nos Estados Unidos do século 19. Abigail e seu marido, o calado Dyer (Casey Affleck), perderam a filha e têm dificuldade de falar de seus sentimentos. 

A chegada de Tallie, casada com o ciumento Finney (Christopher Abbott), é como um sopro de amor e vida para a triste e frustrada Abigail, que sonhava com muito mais. “Foi muito poderoso fazer essas duas jornadas que falam da mesma coisa, mas de pontos de vista diferentes”, contou Kirby, que rodou ambos em um espaço de seis meses, o primeiro em Nova York e o segundo na Romênia. As casas de Abigail e Tallie foram construídas de verdade, e tudo foi rodado em locação. O elenco e a equipe ficaram num pequeno hotel. “Foi um processo de muita colaboração”, afirmou Kirby. “Formei de imediato uma conexão especial com Katherine. Encontrei pessoas realmente mágicas.”

Na coletiva de imprensa do filme, Kirby afirmou que foi um presente interpretar alguém que em sua própria natureza estava lutando contra as restrições impostas a ela. Para a atriz, é importante olhar para o passado. “Nós somos produto de um legado, de mulheres que passaram por muitas coisas para que nós vivêssemos agora como vivemos”, lembrou ela ao Estadão

Como se trata de uma história de encontro e amor entre duas pessoas do mesmo sexo que acontece num ambiente rural nos Estados Unidos, não demoraram para surgir comparações entre The World to Come e O Segredo de Brokeback Mountain (2005). Vanessa Kirby não ficou incomodada. “Engraçado, porque o filme de Ang Lee saiu faz um tempo. Eu espero que este tenha a mesma relevância”, disse. “Acho que o ponto em comum é como ambos mostram o começo de um relacionamento e a intimidade entre duas pessoas.”

Mesmo trabalhando num roteiro escrito por dois homens, Jim Shepard (a partir de um conto seu) e Ron Hansen (O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford), a diretora Mona Fastvold tornou o filme bem seu, fazendo da maternidade uma questão – para Abigail, com a perda da filha, e para Tallie, com a impossibilidade de engravidar. Mona também pensou muito em como posicionar as cenas de sexo e filmá-las. “Não queria nada que repetisse os clichês de fantasias, especialmente as masculinas”, explicou a cineasta na coletiva de imprensa. É apenas um exemplo de como ter novas vozes alimenta perspectivas diversas.

Vinda do teatro, onde fez peças de Henrik Ibsen, William Shakespeare, Tennessee Williams, Vanessa Kirby sabe que presencia um momento especial no cinema. “Poder ver na tela histórias que nunca foram contadas é empolgante”, afirmou. 

Com pinta de estrela de cinema de antigamente, ela provavelmente vai continuar fazendo filmes de ação como Missão: Impossível – depois de Efeito Fallout, ela está escalada para o sétimo e o oitavo da franquia. Mas também quer continuar explorando mulheres complexas como Tallie e Martha. 

 

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