Depois de 30 anos, maior sucesso de Kevin Bacon ainda é 'Footloose'

Mesmo depois de filmes-evento, como 'X-Men' e 'Apollo 13', danças do ator na produção de 1984 continuam sendo sua interpretação mais memorável

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

14 de julho de 2014 | 15h47

Faz 30 anos que Ren McCormick (Kevin Bacon) desafiou a ordem de uma pequena cidade norte-americana só por querer organizar um baile de formatura. Ren quem? Garoto da cidade grande, ele se muda para o interior dos EUA em Footloose, Ritmo Louco, de 1984. E o problema, que Ren não sabe – mas logo descobre – é que dançar é proibido na cidade. Quem baixou a norma foi o reverendo John Lithgow, que nunca se conformou com a morte estúpida do filho e desconta nos demais jovens. Em sua cruzada pela dança, Ren conquista a bela Ariel, sem saber que ela é filha do reverendo, e isso só aumenta a confusão.

Quem assiste hoje ao filme pode até não saber, mas, na época, Footlose gerou um debate nacional que atingiu muitas pequenas cidades norte-americanas. Já que tem de dançar escondido, pelo menos no começo, Ren danças nos limites da cidade, na linha do trem. E isso foi considerado perigoso. Muitas comunidades tentaram conseguir a interdição do filme, sob o argumento de que ele induzia os jovens ao perigo, com o comportamento ‘irresponsável’ do seu herói.

Para o diretor Herbert Ross, Ren não era irresponsável, mas libertário. Ross, que morreu em 2001, gostava de lembrar que também precisou vencer a resistência dos pais para estudar balé e se tornar coreógrafo, primeiro na Broadway e, depois, em Hollywood. Dirigiu as cenas de dança de À Procura do Destino, de Robert Mulligan, com Natalie Wood e Robert Redford, e as de Funny Girl, de William Wyler, com Barbra Streisand. Como diretor, estreou em Adeus, Mr. Chips, o remake do clássico, com Peter O’Toole, de 1969.

Filmou bastante, um filme por ano, todos os anos, até a morte. Entre outros – Sonhos de Um Sedutor, baseado na peça de Woody Allen; O Fim de Sheila, com roteiro de Stephen Sondheim e Anthony Perkins; Funny Lasdy, a sequência de Funny Girl, com Barbra (de novo); Visões de Sherlock Holmes, sobre o improvável encontro do detetive com o dr. Freud.

Embora Rubens Ewald diga, em seu Dicionário de Cineastas, que os filmes de Herbert Ross foram sempre desastrosos, há que relativizar a afirmação. Muitos dos filmes citados são bons (Sheila e Sherlock, principalmente) e ele ainda fez A Garota do Adeus, com Richard Dreyfuss e Marsha Mason, baseado na peça de Neil Simon, e Flores de Aço, com todo aquele grande elenco feminino (Julia Roberts, Shirley MacLaine, Sally Field etc). Depois do fenômeno Embalos de Sábado às Noite, com John Travolta, Hollywood teve um período dançante em que produziu vários filmes que tentavam repetir o feito.

Footloose foi um deles. E deu certo. A produção de US$ 8 milhões arrecadou dez vezes mais nos cinemas. As canções Footloose e Let’s Hear It for the Boy concorreram ao Oscar da categoria e a trilha a cargo de Tom Snow, Dean Pitchford, Kenny Loggins, Nigel Harrison, Mark Mothersbaugh, Jamshied Sharifi, Jim Steinman e Nate Archibald entrou para a lista dos 200 álbuns definitivos de rock no Hall da Fama. Ok, Kevin Bacon não virou nenhum Travolta, mas ele e Lori Singer têm química. No cinema desde O Clube dos Cafajestes, de John Landis, com John Belushi, de 1978, ele estourou com Footloose e também conquistou os críticos por Quando os Jovens Se Tornam Adultos, de Barry Levinson, que havia sido lançado pouco antes, em 1982.

Depois disso, a carreira estagnou, mas ele ressurgiu nos anos 1990 com o vilão de Rio Selvagem, com Meryl Streep, o nu frontal de Garotas Selvagens e o papel do pedófilo em O Lenhador. Casado com Kyra Sedgwick (desde 1988), tem filmado com diretores de prestígio – Clint Eastwood (Sobre Meninos e Lobos), Atom Egoyan (A Verdade Nua) e Ron Howard (Frost/Nixon). Também tem participado dos chamados filmes-evento – Apollo 13 e X-Men – Primeira Classe. Mas o maior sucesso pessoal foi mesmo dançando em Footloose. Há 30 anos.

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