Glen Wilson/Columbia Pictures-Sony
Glen Wilson/Columbia Pictures-Sony

Análise: Denzel Washington é o verdadeiro 'The Rock' e sua trajetória até aqui impecável

Ator tem interpretado personagens fortes, daqueles que fazem história

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

19 Dezembro 2017 | 06h03

Denzel Washington conta em entrevista que tinha 13 ou 14 anos quando viu Super Fly e Shaft, dois personagens definidores dos personagens negros na época dos chamados ‘blaxploitation movies’. De cara, decidiu que queria ser Shaft. Talvez tivesse a ver com o fato de ser filho de pastor. Nada de superpoderes. Pés na realidade.

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Um ator como Sidney Poitier foi decisivo na afirmação da identidade do homem afro-americano no cinema de Hollywood. Mas nem Poitier, respeitado como é - e com um Oscar no currículo, por Uma Luz nas Sombras, de 1963, além de um personagem emblemático como Virgil Tibbs, de No Calor da Noite, de Norman Jewison, 1967 -, pode-se comparar a Denzel. Muitos críticos o têm na conta do maior astro de Hollywood, na atualidade.

Prêmios, sucessos de público, respeitabilidade - o verdadeiro ‘The Rock’ é Denzel, cuja reputação permanece ilibada numa Hollywood em que muitos astros estão caindo por acusações de fundo sexual. Denzel tem interpretado personagens fortes, daqueles que fazem história. Ganhou o Oscar por Tempo de Glória e Dia de Treinamento. Foi Malcolm X e, este ano, o Troy de Fences - Um Limite entre Nós.

Iniciou-se no teatro e na TV, integrando a Negro Ensemble Company e o elenco de uma novela mítica, St. Elsewhere, de 1982. Dois anos depois, Norman Jewison deu-lhe um papel destacado em A História de Um Soldado. O filme, baseado na peça de Charles Fuller vencedora do Pulitzer, conta a história de militar negro que vem investigar assassinato numa base sulista. É curioso repensar como as coisas ocorrem. Denzel não faz o protagonista. Quem interpreta o papel é Howard E. Rollins, que, em 1981, protagonizara também Na Época do Ragtime, de Milos Forman, um dos maiores filmes antirracistas do cinema - Paulo Francis dizia que era o maior.

Impossível tirar os olhos de Rollins nesses filmes. Onde foi parar? Foi preso em Louisiana por porte de cocaína, no fim dos anos 1980. Foi preso de novo em 1992. Morreu de linfoma em 1996 - aos 46 anos. Coincidência ou não, os anos 90, dolorosos para Rollins, viram se afirmar a estrela de Denzel - Mais e Melhores Blues, Filadélfia, O Dossiê Pelicano e a série de filmes dirigidos por Tony Scott. Denzel construiu sua trajetória brilhante. Segue nela. E agora, mais que nunca, promete fazer só o que quer. O papel acima marca um recomeço. Longa vida!

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