JACK GUEZ / AFP
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Demência 'trouxe muito sofrimento' a Sean Connery, diz esposa

Ator que morreu neste fim de semana lutou contra a condição debilitante em seus últimos meses, disse sua esposa ao Daily Mail

Sarah Bahr, The New York Times

04 de novembro de 2020 | 14h00

Sean Connery, o ator que inaugurou o papel de James Bond, teve demência nos últimos meses de vida, disse sua esposa, Micheline Roquebrune, ao Daily Mail. Connery morreu neste fim de semana, aos 90 anos, nas Bahamas.



Roquebrune, que foi casada com Connery por 45 anos, disse que o ator “não conseguia se expressar” nos meses que antecederam sua morte. “Não era vida para ele”, disse ela. “Pelo menos ele morreu durante o sono, foi embora em paz”.

Connery interpretou o papel do amado agente secreto britânico em 007 contra o Satânico Dr. No (1962), Moscou contra 007 (1963), 007 contra Goldfinger (1964), 007 contra a Chantagem Atômica (1965), Com 007 só se Vive Duas Vezes (1967), 007 - Os Diamantes São Eternos (1971) e 007 - Nunca Mais Outra Vez (1983).

Roquebrune, pintora franco-marroquina, casou-se com Connery em 1975. Ela disse ao The Mail que ele era um “modelo de homem” e que a vida seria “muito difícil sem ele”.

“Ele tinha demência, e a doença trouxe muito sofrimento”, disse Roquebrune. Mas ela acrescentou: “Ele foi atendido em seu último desejo de ir embora sem qualquer agitação”.

A demência, que é um grupo de condições caracterizadas por perda de memória e prejuízos ao discernimento, é mais comumente causada pelo mal de Alzheimer. Embora afete principalmente pessoas mais velhas, não faz parte de um envelhecimento normal.

Cerca de 50 milhões de pessoas têm demência, e aproximadamente 10 milhões desenvolvem a condição a cada ano, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Os estágios iniciais geralmente incluem esquecimento e desorientação em lugares familiares (que podem evoluir para se perder dentro de casa), mudanças de comportamento e necessidade de ajuda com cuidados pessoais. Nos estágios finais da doença, a pessoa pode ter dificuldade para andar e reconhecer familiares e amigos.



Após a morte de Connery, vários atores que encarnaram Bond no passado e no presente homenagearam o titã das telas de cinema. Daniel Craig, que interpreta James Bond desde 2006, disse em um comunicado no site 007 que Connery tinha charme e inteligência que “podiam ser medidos em megawatts” e que ele “ajudou a criar o blockbuster moderno”.

“Ele continuará a influenciar atores e cineastas por muitos anos”, disse Craig. “Meus pensamentos estão com sua família e entes queridos”.

George Lazenby, que interpretou James Bond em 007 - A Serviço Secreto de Sua Majestade (1969), escreveu no Instagram no aniversário de 90 anos de Connery, em agosto, que o ator não era apenas “o maior 007 de todos os tempos”, mas também, acrescentou ele num post no sábado, “um homem de ideias muito parecidas com as minhas”.

“Quem nos deixou foi um grande ator, um grande homem e um artista subestimado”, escreveu Lazenby.


TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

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