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'Deixe-me Entrar' procura manter suspense do original

Adaptada e dirigida por Matt Reeves pode ser considerada menor que o original, mas dificilmente banal

Reuters

27 de janeiro de 2011 | 14h09

Quando foi anunciada a produção da versão norte-americana do excelente Deixa Ela Entrar (2008), do diretor sueco Tomas Alfredson, muita gente considerava de antemão que seria uma produção inferior e que não faria jus ao filme. No entanto, adaptada e dirigida por Matt Reeves (de Cloverfield - Monstro), Deixe-me Entrar pode ser considerada menor, mas dificilmente banal.

Baseado em livro do sueco John Ajvide Lindqvist (que assinou o roteiro do filme original), Let The Right One In (algo como "deixe o escolhido entrar"), uma referência à música do inglês Morrissey, Let the Right One Slip In, o novo filme pode ser, à primeira vista, considerado mais uma história de vampiro, temática tão em voga nos cinemas e na TV. Mas trata-se de uma visão tão equivocada quanto simplista.

Longe das paixões, sensualidade e violência encontradas nas franquias Crepúsculo, True Blood ou Blade, esta história está mais centrada no lado obscuro do ser humano, ao trabalhar com assuntos densos como assassinato, crise existencial, bullyng e até pedofilia. A sutileza com a qual a dupla Alfredson e Lindqvist conduziu a trama tão soturna é a explicação para seu êxito.

A história nos apresenta o solitário Owen (aqui, Kodi Smit-McPhee, de A Estrada), um garoto com 12 anos, filho de uma alcoólatra e atormentado pelos colegas de escola. Por isso, quando Abby (Chloe Moretz, a encantadora Hit Girl de Kick-Ass - Quebrando Tudo) muda-se para o apartamento ao lado, o rapaz vê a possibilidade de ter uma amiga.

Abby não tem nada de convencional. Parece não tomar banho, anda descalça na neve, não sente frio, não vai à escola e só aparece à noite. Mesmo assim, do inicial estranhamento, nasce uma forte amizade, que se baseia na proteção mútua.

Quando assassinatos começam a ocorrer na vizinhança, não é difícil ligar os pontos e perceber que a menina e seu pai (Richard Jenkins, de Comer, Rezar, Amar) estão diretamente envolvidos. Aos poucos, Owen desvenda quem é Abby, tornando-se evidente sua condição de vampira quando ela pede ao seu novo amigo para convidá-la a entrar em seu apartamento, antes de passar pela soleira da porta.

Embora apresente um competente trabalho técnico, Matt Reeves não possui o refinamento estético do sueco Tomas Alfredson e seu apuro visual. Mesmo a psicologia de seus personagens é mais pobre. Quando, no livro e no filme original, a vampira repele o convite de namoro com a justificativa "eu não sou uma menina", que aponta para a confusa identidade sexual da personagem (era um rapaz, mas foi emasculado em um ritual), Reeves desperdiça oportunidades, apesar de manter a cena.

Quem gostou da versão sueca possivelmente irá torcer o nariz para esta nova produção. Muito justo, por princípio. Mas Deixe-me Entrar, apesar das falhas, pode ser considerado um programa aconselhável até para quem não gosta de terror.  (Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)

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