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Deboche incorreto de 'Bruno' destrói nosso mundinho fashion

Depois de Borat, Sacha Baron Cohen vira o gay Bruno, em mais um hilariante falso documentário

Luiz Carlos Merten, de O Estado de S. Paulo,

14 de agosto de 2009 | 10h57

Prepare-se para a nova provocação de Sacha Baron Cohen. O comediante inglês que bombardeou os EUA com o humor politicamente incorreto de Borat - lembram-se do repórter do Casaquistão? - consegue ser ainda mais desrespeitoso em Bruno, que estreia nesta sexta-feira, 14. O filme dirigido por Dan Mazer - e co-escrito por Baron Cohen - certamente não se destina a todos os gostos, mas se você não tiver preconceitos contra o universo clubber/fashion poderá se divertir bastante.

 

O humor é episódico, como em Borat, e dirigido a gays, judeus, conservadores em geral. O que você espera de um herói que considera Adolf Hitler o maior e mais injustiçado austríaco do mundo? Ah, sim, de todas as definições sobre Bruno, a mais inusitada é o próprio Sacha Baron Cohen. Para ele, é o filme mais gay produzido por Hollywood desde... Gladiador, de Ridley Scott, com Russell Crowe.

 

Veja também:

Trailer de 'Bruno'

 

Gladiador era gay? Em que mundo você vive, se não captou o que quis dizer Baron Cohen numa das muitas entrevistas que deu para divulgar seu novo trabalho? Bruno é repórter de moda na Áustria. Não um repórter - é "o" repórter, o mais conhecido, o mais popular, o que dita regras. Só que Bruno destrói um desfile com seu novo modelito em velcro e vira persona non grata nos desfiles em que antes reinava. Para completar a desgraça, é abandonado pelo amante anão e carreirista. Sozinho no mundo - bem, quase, ele ainda tem um admirador -, Bruno resolve se lançar à conquista da América, disposto a virar uma celebridade em Hollywood.

 

Como Borat, Bruno é outro falso documentário sobre mais um personagem "sem noção", a especialidade de Sacha Baron Cohen. As primeiras cenas, na Áustria, serão hilárias ou chocantes, considerando-se a selvageria das cenas de sexo entre Bruno e seu amante verticalmente prejudicado (mas aberto a todas as bizarrices). Nos EUA, Bruno tenta emplacar um piloto de TV. Suas tentativas de entrevistar celebridades - Harrison Ford, por exemplo - são patéticas. Ele resolve que precisa consertar os problemas do mundo para virar celebridade. A cena em que ele corre, de shorts, atrás do rabino ortodoxo, em Jerusalém, é de rachar o bico, mas o humor é tão selvagem quanto o sexo. Baron Cohen não poupa nenhum grupo. Mais tarde, quando descobre que não faz sucesso por ser gay, ele resolve virar straight e vai atrás do pregador religioso que promete reverter sua opção sexual.

 

Ele fixa o olhar nos lábios do cara. O pastor diz que aqueles lábios foram feitos para louvar a Deus. Bruno diz que é perda de tempo, que tem ideias melhores. A cena da "descoberta" dá o tom definitivo. Bruno só descobre que seu "problema" é ser gay ao olhar os cartazes, na rua, de três personalidades que lhe confirmam que é preciso ser heterossexual para triunfar nesse mundo conservador (e machista). As fotos são dos ironicamente ambíguos John Travolta, Kevin Spacey (que saiu do armário há tempos) e Tom Cruise (astro cuja sexualidade é a mais contestada do mundo). O comportamento social, o cinema, o mundo fashion, o clubber. Nada resiste ao humor demolidor de Sacha Baron Cohen. Ele vira lutador - ao estilo de Mickey Rourke. Exibe-se para plateias ultraconservadoras do Meio Oeste. O que ocorre no telecatch de Bruno parece espelho deformante do horror que é ser americano, portanto, conservador.

 

Bruno (Brüno, EUA/2009, 81 min) - Comédia. Direção de Larry Charles. 18 anos. Cotação: Regular

 

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