De volta à ação, Jodie Foster brilha em "O Quarto do Pânico"

Prepare-se para tremer de medo. Chega em7 de junho aos cinemas brasileiros um dos mais intensosthrillers dos últimos tempos: O Quarto do Pânico, queconquistou os americanos neste fim de semana, faturando mais deUS$ 30 milhões em três dias. O novo filme de David Fincher (deClube da Luta e Seven - Os Sete Crimes Capitais) trazJodie Foster de volta a um filme de ação, em uma combinação quenão se via há tempos nas telas. Com direção de arte impecável euma elaborada movimentação de câmeras, a fita leva o medo deladrões a novos níveis de histeria.O Quarto do Pânico tem um roteiro direto, com açãoininterrupta do primeiro ao último minuto. A história começaquando a personagem de Foster, uma milionária recém-divorciada,compra uma mansão na região nova-iorquina do Upper West Sidepara ir morar com a filha. Durante a primeira visita àpropriedade, ela descobre o "quarto do pânico", uma sala deconcreto impenetrável, com monitores de segurança, um telefoneseparado da linha principal da casa, sistema de ventilação e umasérie de utensílios para o caso de invasões ou outrascatástrofes.Foster não imagina que vai acabar usando o quarto na primeiranoite em que passa na nova casa: três invasores estão atrás daherança do antigo dono, que está escondida dentro do quarto dopânico. Depois disso, seguem-se duas horas de pura ação com umasérie de desdobramentos inesperados, em um roteiro cheio decamadas. A cada tentativa de sair da situação, uma nova dose deadrenalina é injetada à história com a atuação de Foster dandotempero extra ao filme. É difícil imaginar que Nicole Kidman,que chegou a rodar algumas cenas da produção antes de machucar ocalcanhar, conseguiria dominar tão bem o papel.O elenco também conta com as boas participações de ForestWhitaker (de Bird), Jared Leto (de Réquiem Para umSonho) e da novata Kristen Stewart, que tem tudo para setornar a próxima Christina Ricci. Mas o filme impressiona mesmoé pela direção: Fincher torna-se cada vez mais um mestre nacriação de climas constantes em seus filmes. As movimentações decâmera em plano-seqüência (já usadas em seus filmes anteriores)são inacreditáveis, com trechos em que ela passeia pelosdiversos andares da casa, passa por dentro do cabo de umacafeteira ou entra dentro de um buraco de fechadura.O Quarto do Pânico também atrai por conta de seu ponto departida: os produtores conseguiram despertar a curiosidade dopúblico em relação à existência e fabricação das tais salas desegurança máxima. Uma evolução dos antigos abrigos contra bombas, eles são populares nos Estados Unidos em regiões sujeitas afuracões e outras catástrofes naturais. Mas em cidades como LosAngeles e Nova York são cada vez mais comuns em casas demilionários e paranóicos em geral.Os quartos são projetados por empresas especializadas, sem oconhecimento dos arquitetos ou engenheiros envolvidos na obra.Empresas como a Safe City, de New Jersey, que projetamsalas-fortes e cofres para bancos, têm como clientes grandesempresários e herdeiros com dinheiro suficiente para desembolsar"pelo menos US$ 400 mil", de acordo com o dono, Karl Alizade.Montados com paredes de concreto e aço e portas que podemsuportar tiros, marretadas e tentativas de perfurações, os"quartos de pânico" são projetados de acordo com o gosto docliente e todas as informações são mantidas em segredo (nofilme, por sinal, um dos invasores da casa é funcionário daempresa que fabrica o quarto). "Boa parte do nosso negócio é garantir ao cliente que ninguém tem acesso aos detalhes daconstrução", revelou Alizade à Planet Pop.Até o governo dos Estados Unidos tem um "quartinho" paracorrer em horas de desespero. É o "Situation Room", umcomplexo high-tech no porão da Casa Branca. Em 11 de setembro, opresidente George W. Bush estava fora de Washington e asituation room não foi usada, porque a Casa Branca, um dospossíveis alvos dos ataques terroristas, foi evacuada.Em Nova York, o ex-prefeito Rudolph Giuliani havia construído um"bunker" de segurança para situações de emergência dentro docomplexo do World Trade Center. As intalações não ficavam dentrodas torres gêmeas, mas no edifício conhecido como 7 World TradeCenter, destruído nos ataques terroristas. Embora muitos testestenham sido feitos nos últimos tempos, o centro de controlenunca tinha sido usado oficialmente.

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