De 'Rambo' a 'Branca Como a Neve' - Veja as estreias da semana com crítica do 'Estado'

Terror, inclusão, ação e futebol são temas dos filmes que chegam às telonas nesta semana

Luiz Carlos Merten - O Estado de S. Paulo

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Cena do filme Midsommar - O Mal Não Espera a Noite de Ari Aster Foto: Csaba Aknay

Mais 12 filmes entram em cartaz nos cinemas da cidade, nesta quinta, 19. Toda semana tem sido assim - uma enxurrada de lançamentos. Os novos filmes incluem um terror forte (O Mal não Espera a Noite), uma história de inclusão inspirada nas canções de Bruce Springsteen (A Música da Minha Vida) - que vem somar-se a Yesterday, sobre a música dos Beatles -, um ótimo filme uruguaio sobre futebol (Meu Mundial), um conto de fadas para adultos (Branca como a Neve) e o documentário Torre das Donzelas, sobre prisão de mulheres durante a ditadura militar, com depoimento da ex-presidente Dilma Roussef.

 

Astérix e o Segredo da Poção Mágica

Dir. de Louis Clichy e Alexandre Astier

Astérix e Obelix embarcam numa jornada épica - e divertida - para ajudar velho mestre druída que percorre a Gália em busca de sucessor para guardar a poção do título. Tradicionalmente, e estamos falando do Brasil, os personagens da dupla Uderzo e Goscinny fazem mais sucesso nos quadrinhos. Filmes - de animação ou live-action - nunca estouraram por aqui, embora com reforços consideráveis no elenco (Gérard Depardieu, Monica Bellucci, o próprio Christian Clavier, que aqui empresta a voz).

 

 

Branca como a Neve

Dir. de Anne Fontaine, com Isabelle Huppert, Charles Berling, Lou de Lâage.

 

Um conto de fadas para adultos. Quando seu novo namorado apaixona-se pela enteada, a madrasta Isabelle Huppert despacha a jovem para um lugar distante, onde ela vai encontrar sete 'príncipes' (guardiões?) que a ajudarão a se libertar. Isabelle Huppert é sempre boa, mas quando a personagem é má ela é melhor ainda. A diretora vai diretamente à fonte dos irmãos Grimm, propondo uma leitura diferenciada que a aproxima mais de Bruno Bettleheim que da Disney.

 

 

Dafne

Dir. de Federico Bondi, com Carolina Raspanti, Stefania Casini, Antonio Piovanelli.

 

Sucesso na recente 8 ½ Festa do Cinema Italiano, esse filme mostra garota com síndrome de Down que tenta se reaproximar do pai, após a morte da mãe. Ambos estão solitários, e tristes, e ela percebe que só a união fará a força. Mas não é fácil.

 

 

Depois do Casamento

Dir. de Bart Freudlich, com Michelle Williams, Julianne Moore, Billy Crudup.

 

Mais um remake hollywoodiano de uma produção europeia, no caso, o filme dinamarquês de Susanne Bier, de 2006. A grande diferença é que as personagens de Michelle e Susanne eram homens no original. Na nova trama, Michelle, que dirige um orfanato na Índia, recebe oferta de benfeitora que lhe pede que vá ao seu encontro, nos EUA, para que ela possa ajudar a instituição. A oferta tem algo de armadilha - revelações, dramas ocultos e que virão à tona. As atrizes são muito boas e fazem a diferença.

 

 

Os Jovens Baumann

Dir. de Bruna Carvalho Almeida, com Júlia Burnier, Isabela Mariotto, Marília Fabbro.

 

Entre ficção e documentário, o filme resgata uma história trágica que encerra, em si, um mistério. Em 1992, oito jovens de uma família que passavam férias num casarão desapareceram. O que houve com eles? Fitas de VHS encontradas no local permitem reviver aqueles últimos momentos, mas o clima, embora perturbador, não busca criar um terror à Bruxa de Blair. Filme estranho, integrou a programação do Festival de Brasília de 2018, em setembro do ano passado.

 

 

Longe da Árvore

Dir. de Rachel Dretzin.

Pais e filhos com dificuldade de se entender, ou aceitar. Adaptação, em formato de documentário, do best seller de Andrew Solomon. O filme investiga famílias com filhos 'diferentes': síndrome de Down, autistas, esquizofrênicos, etc. De que maneira a aceitação do 'outro' pode ser um desafio que vai nos enriquecer, e melhorar, como indivíduos. Bem interessante.

 

 

O Mal não Espera a Noite - Midsommar

Dir. de Ari Aster, com Florence Pugh, Jack Reynor, Will Poulter

 
Garota parte com o namorado e amigos numa viagem de férias à Suécia. Ela passou por uma tragédia íntima e está muito sensível. Sua condição aguça-se quando todos se descobrem no centro de um ritual pagão que libera forças sinistras. No dia sem fim - o verão na Escandinávia -, o mal, como informa o título, não espera a noite. Depois de It - A Coisa 2, de Andy Muschietti, que fechou no fim de semana 2,161 milhões de espectadores, outro terror que chega com chances de arrebentar na bilheteria. E esse, mais até, tem feito também grande sucesso de crítica em todo o mundo.

 

 

Meu Mundial - Para Vencer não Basta Jogar

Dir. de Carlos Andrés Morelli, com Facundo Campelo, Néstor Guzzini, Roney Vilela.

O Uruguai produz poucos filmes por ano, mas em geral são sempre bons. Um diretor explicou certa vez, no Festival de Gramado, que isso talvez se deva ao fato de que quase não existe produção ficcional na TV - o Uruguai não produz novelas - e isso faz do cinema o instrumento audiovisual do país. Com toda honestidade, não são muitos os filmes bons sobre futebol, e os documentários ainda são melhores que as ficções. Outro problema é que é muito difícil criar a jogada genial. Que ator consegue fazer um daqueles golaços de Pelé, Maradona? Esse é um filme simples e humano adaptado do livro de um ex-jogador, Daniel Baldi. Um garoto pobre que vem da base e vira jogador, começa a ganhar dinheiro, a família desestrutura-se. O subtítulo - para vencer não basta jogar. É preciso vontade, estrutura - atitude. Um belo filme que valeu a Néstor Guzzini, como o pai, o Kikito de melhor ator na competição latina do ano passado. A mãe, Veronica Perrotta, havia vencido também em Gramado, em 2017. São ótimos atores.

 

 

A Música da Minha Vida

Dir. de Gurinder Chadha, com Hayley Atwell, Nel Williams, David Hayman.

 
Garoto paquistanês integra-se à sociedade britânica por meio da música. Muitos elogios para a diretora, que se inspirou em canções de Bruce Springsteen para tecer essa belíssima fábula de inclusão social. O filme vem somar-se a Yesterday, de Danny Boyle, sobre músicas dos Beatles. Veja e compare, os dois.

 

Rambo - Até o Fim

Dir. de Adrian Grunberg, com Sylvester Stallone, Paz Vega, Yvette Monreal, Sergio Peris-Manchetta.

 
O quinto filme da série com o icônico personagem. Rambo, que já foi ídolo da direita dos EUA, vencendo na ficção a Guerra do Vietnã (em Rambo II - A Missão) e derrotando os russos no Afeganistão (em Rambo III), agora vive na fronteira mexicana e enfrenta a força dos cartéis para resgatar a filha de um amigo. Terá Stallone se integrado à agenda do presidente Trump? A crítica diz que, até por ser de despedida, o filme é muito amargo, marcado pelas perdas pessoais do protagonista.

 

 

Torre das Donzelas

Dir. de Susanna Lira.

 

Documentário que dá voz à ex-presidente Dilma Roussef e a outras presas da chamada Torre das Donzelas, penitenciária (demolida nos anos 1970) na qual mulheres eram isoladas, e torturadas, durante a ditadura militar. O filme experimental, com linguagem inovadora, foi premiado no É Tudo Verdade. Além do resgate histórico, prende pela emoção, embora, obviamente, nesse Brasil dividido, não se destine a todos os públicos.

 

 

Uruguai na Vanguarda

Dir. de Marco Antonio Pereira.

 
Os movimentos sociais que levaram José Mujica à presidência do Uruguai e consolidaram avanços como o casamento gay, a liberação da maconha para fins medicinais, as cotas raciais, o aborto. A pauta progressista que colocou o país vizinho na vanguarda é discutida por vários segmentos da sociedade.

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