De orçamento reforçado, Riofilme revela seus planos

A Riofilme vai investir, ao longo de 2002, R$ 14 milhões na co-produção e distribuição de filmes brasileiros. A promessa é do diplomata Arnaldo Carrilho, presidente da empresa. Os recursos alocados correspondem ao triplo do que foi gasto neste ano. Por orientação do prefeito do Rio, César Maia, os recursos devem ser investidos, integralmente, em produtoras cariocas. Empresas (paulistas, gaúchas, mineiras ou nordestinas) interessadas em trabalhar com a Riofilme devem, portanto, associar-se a empresas cariocas. A parte mais significativa dos recursos será investida na distribuição de novos filmes brasileiros. Carrilho acredita que a Carteira de Lançamentos da empresa chegará, em 2002, a 30 títulos. Cita alguns deles: Tempestade Cerebral, de Hugo Carvana; Glauber Rocha (registro dos funerais do cineasta baiano) e Utopia & Barbárie (sobre os sonhos revolucionários dos anos 60), ambos de Sílvio Tendler; Dois Perdidos Numa Noite Suja, de José Joffily; O Signo do Caos, de Rogério Sganzerla; Belas Palavras, de Sérgio Bernardes; Nem Gravata, nem Honra, de Marcelo Masagão; e As Sandálias de Empédocles, de Carlos Reichenbach (este, em fase adiantada de negociação).Outra parte dos recursos será investida na "recuperação e disponibilização de marcas". Carrilho detalha esta meta: "Precisamos lançar, em vídeo e DVD, a íntegra da obra de Glauber Rocha, Leon Hirszman, Joaquim Pedro de Andrade, Roberto Santos, Sérgio Person, David Neves, Roberto Pires e a produção de dramas e chanchadas da Atlântida." O presidente da Riofilme garante que "as coleções de cada autor sairão em DVD, em cinco idiomas, incluindo o chinês".Como diplomata, Carrilho acredita que o Leste Asiático, "um terço do mercado planetário", tem de ser, obrigatoriamente, levado em conta. "Não podemos pensar só na América Latina, EUA e Europa." Otimista, o presidente da Riofilme acredita que "os R$ 14 milhões previstos no orçamento vão se ampliar com a conquista de parceiros internacionais".Para tanto, ele já pediu apoio estratégico ao Itamaraty e à representação brasileira em Genebra, sede da OMC (Organização Mundial do Comércio), responsável pelo Gats (Acordo Geral de Comércio de Serviços). "A Riofilme não é uma empresa de fomento", avisa o diplomata. "É, isto sim, uma empresa prestadora de serviços comerciais", complementa. "Daí nosso empenho em trabalhar junto a fóruns de comércio espalhados pelo mundo; nossa intenção é ampliar a distribuição do cinema brasileiro no mercado internacional."A empresa carioca continuará apoiando o curta-metragem e trabalhará com a formação de novas platéias junto a estudantes de primeiro e segundo graus. "Mas, neste caso" - anuncia Carrilho - "as verbas virão da Secretaria de Educação". O diplomata avisa que a Riofilme passará a trabalhar com produções comerciais. "O dinheiro que esse tipo de produção render para nossos cofres será aplicado em filmes culturais."No campo dos projetos, Carrilho sonha distribuir um longa-metragem sobre Santos Dumont. "Em 2002, os americanos vão comemorar o centenário da façanha do Irmãos Wrigth, tidos, por eles, como os verdadeiros inventores do avião", conta. "No Brasil, pátria de Santos Dumont, temos dois projetos que pretendem cinebiográ-lo: um de Tizuka Yamasaki e outro de um jovem nordestino - por que não ajudar a viabilizar empreendimento de tamanha importância?"Outra promessa que Carrilho promete tirar do papel: a transformação do Tempo Glauber numa fundação que (ele pretende) seja "a casa do Cinema Novo". Ele faz questão de lembrar que a palavra casa deve ser escrita com letra minúscula, "pois o nome continuará sendo Tempo Glauber".A Riofilme Distribuidora foi criada em novembro de 1992 pela Prefeitura do Rio. Além de distribuir filmes brasileiros em cinemas, vídeo e televisão, participa da produção através de uma carteira de co-produção, que apóia a realização de dez filmes de longa-metragem a cada ano. Tem também uma carteira de finalização, que apóia a conclusão de até dez projetos de longa-metragem a cada ano; e um prêmio estímulo para a produção de filmes de curta-metragem.

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