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‘De Menor’ desfaz preconceitos estabelecidos

Excelente estreia, longa já é um dos filmes indispensáveis do ano

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S. Paulo

24 de outubro de 2013 | 16h49

De Menor, de Caru Alves de Souza, discute, como o nome sugere, a questão da delinquência juvenil. Problema premente de uma sociedade que não sabe o que fazer com seus menores infratores e se desgasta na ideologizada discussão em torno da maioridade penal.

Caru, em sua estreia no longa-metragem, sabe que o papel do cineasta não é o de oferecer certezas e nem mesmo impor um ponto de vista. O artista aponta problemas e impasses. Num tecido social mal ajambrado como o nosso, busca apontar seus pontos de falha e esgarçamento. Através da problematização das certezas do espectador, contribui para o enriquecimento do debate.

Esteticamente, De Menor é de um despojamento digno de nota. “Parece filme romeno”, comentou uma espectadora ao fim de uma sessão. De fato. Os atores são praticamente desconhecidos e dizem seus diálogos sem uma vogal de entonação “artística”. Aliás, em nenhum momento o registro de filmagem busca qualquer adorno ou embelezamento. A vida como ela é, seca, no recorte oferecido pelo ponto de vista da autora.

Na história, uma jovem advogada, Helena (Rita Batata), e seu irmão mais novo, Caio (Giovanni Gallo), moram sozinhos numa casa em Santos. Perderam os pais e sobrevivem com certa dificuldade financeira. Ela exerce a função de defensora na Vara de Menores. Exatamente para a qual seu irmão será encaminhado após praticar alguns delitos. Temos, portanto, um conflito familiar, além de legal. A defensora é irmã do menor “apreendido”. Em debate, saber se ele deverá ser colocado em liberdade vigiada ou encaminhado à Fundação Casa.

Em De Menor, Caru busca enfrentar três vertentes– a institucional, através dos bastidores da justiça para menores; a social, pelas condições em que se flerta com o crime; a subjetiva, pelo sofrimento dos envolvidos, ou seja, o próprio garoto e sua família. O tom dominante é o de vontade de compreensão que não renuncia à compaixão. Ou seja, à simpatia pelo sofrimento alheio.

Que tudo isso seja feito sem discurso sociológico e sem melodramas já seria um mérito em si. Além dessas qualidades, também fala contra o preconceito que faz da delinquência algo privativo dos pobres e dos negros. Tudo isso torna De Menor uma excelente estreia e já um dos filmes indispensáveis do ano. O filme será exibido nesta sexta, às 16h, no Cine Livraria Cultura

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