Arquivo Stanley Kubrick
Arquivo Stanley Kubrick

De Kubrick aos Coen

Com 350 filmes, 37ª Mostra de SP equilibra passado e presente em sua programação

Luiz Carlos Merten/ Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2013 | 02h12

Há uma pergunta que lhe fazem sempre e que Renata de Almeida admite que não sabe como responder. Como ela está imprimindo sua marca na Mostra Internacional de São Paulo, cuja condução herdou do marido, Leon Cakoff? Renata realizaria ontem a coletiva de lançamento da 37.ª Mostra, que acontece de 18 a 31 de outubro. A imprensa veria o filme que abre o evento para convidados, no dia 18 - Inside Davis Llewyn, dos irmãos Coen. Quanto à pergunta formulada no início, como assim? "Por mais que a Mostra tivesse a cara dele, Leon não a fazia sozinho. Durante muitos anos, fui sua interlocutora. Discutíamos cada aspecto da Mostra, a seleção. Ele tinha a última palavra, mas eu já vinha formatando a Mostra com ele." E hoje, sem o marido, que morreu há dois anos? "A Mostra é muito grande. Não dá para fazer sozinha. Tenho uma equipe que me assessora, amigos."

Cinéfilos, podem ir se preparando. Renata até tentou diminuir o número de filmes, evitar o gigantismo, fazer uma Mostra mais compacta. "O ideal seria uma Mostra com 150/200 títulos, para que as pessoas pudessem ver mais coisas. Mas há uma oferta muito grande e, de novo, estamos fechando numa Mostra com 350 filmes." Serão projetados em 20 pontos da cidade, entre cinemas e espaços culturais. Se a abertura será com os irmãos Coen, o encerramento será com Ettore Scola e um filme que fez sensação no recente Festival de Veneza. Muita gente sonhava ver o Leão de Ouro ser atribuído a Que Estranho Chamar-se Federico - Scola Conta Fellini. Você não perde por esperar. Nós, os que amamos o cinema, não perdemos.

Como se faz uma Mostra desse tamanho? "Com patrocinadores, apoiadores e muito planejamento. A retrospectiva de Stanley Kubrick já vinha sendo tratada há mais de ano. Quando propus que o cartaz da 37.ª Mostra homenageasse Kubrick, seu cunhado e parceiro, Jan Harlan, sugeriu um still de um de seus filmes. Retruquei que seria muito óbvio. Ele falou então das aquarelas que Christiane, mulher de Kubrick, fazia retratando o marido, em pleno set de filmagem e uma dessas aquarelas virou o nosso cartaz."A Mostra contempla outras retrospectivas, dedicadas ao mestre documentarista brasileiro Eduardo Coutinho e ao cineasta filipino Lav Diaz, considerado um mestre em seu país. Dessa maneira, segue fiel a um dos preceitos traçados por seu criador, e esse era o credo de Cakoff - o de que era preciso não só cultivar e homenagear grandes autores como revelar outros inéditos ou pouco conhecidos pelos espectadores brasileiros.

A 37.ª Mostra está dividida em cinco seções. A Competição Novos Diretores é a sua menina dos olhos e vai exibir filmes de estreantes ou de autores que estejam no segundo filme; como sempre serão votados pelo público e só depois entregues à avaliação do júri internacional. As outras seções são: Perspectiva Internacional, com um panorama do que mais avançado se produziu no mundo, no ano; as Retrospectivas, já citadas; as Apresentações Especiais, que incluem a exibição de Nathan, o Sábio, clássico mudo alemão de Manfred Noa, de 1922, com acompanhamento musical ao vivo; e a Mostra Brasil, com filmes inéditos na cidade e que vão concorrer ao Prêmio Itamaraty. A Perspectiva exibe filmes inéditos no Brasil. A Mostra Brasil aceita produções que já tenham sido exibidas em outros festivais justamente por dar um prêmio em dinheiro que pode ser decisivo para o lançamento do vitorioso.

Pelo próprio perfil da Mostra, Cakoff e Renata sempre selecionaram filmes miúras, que jamais chegariam ao mercado brasileiro. Quais os deste ano? "São muitos, não dá para apontar", ela diz. Entre alguns (Cães Errantes, de Tsai Ming-liang, prêmio do júri em Veneza; Child's Poze, de Calin Peter Netzer, Urso de Ouro em Berlim; Ilo-Ilo, de Anthony Chen, Caméra d'Or em Cannes; e La Jaula de Oro, de Diego Quemada, premiado por seu elenco na mostra Un Certain Regard de Cannes), a sugestão do repórter seria Um Toque de Pecado. É melhor que A Vida de Adèle, que ganhou a Palma de Ouro.

STANLEY KUBRICK

MIS. Av. Europa, 158, 2117-4777.

3ª a 6ª, 12h às 22h; sáb., dom. e fer.,

11h às 21h. R$ 10 (3ª grátis). Até 12/1.

Abertura na sexta. www.mis-sp.org.br

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.