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De Connery a Craig: 24 filmes da saga 007 chegam ao Amazon Prime Vídeo

Confira os títulos, que vão dos antigos, como 007 Contra Goldfinger até os atuais, com 007 Contra Spectre

Luiz Carlos Merten, Especial para o Estadão

08 de abril de 2022 | 15h02

É a pergunta que não quer calar – quem será o próximo 007, após Daniel Craig? Ele fez o papel em cinco filmes, quatro dos quais estabeleceram recordes e colocaram a franquia de volta num patamar que parecia impossível após o novo advento de Star Wars e o sucesso dos blockbusters da Marvel. Já na sua terceira vez na pele de James Bond – em 007 Contra Skyfall, após Cassino Royale e Quantum of Solace –, Craig aventava a possibilidade de uma aposentadoria. 

Depois de Sem Tempo para Morrer, é inevitável que surja um sucessor, mantendo a franquia ativa. O nome atualmente mais provável nas bancas de apostas é o de Regé-Jean Page, o Duque de Hastings da série Bridgerton. Tem havido clamor por um 007 negro, ou mulher. As questões de raça, e gênero, estão cada vez mais fortes na indústria. Idreis Elba chegou a ser cotadíssimo, mas ficou ‘velho’ para o personagem. É o que favorece Regé-Jean. 

Enquanto prosseguem as especulações, vale a pena voltar no tempo, ao passado, ao primeiro 007. Nesta sexta, 8, a Amazon Prime Video recoloca no mercado 24 filmes da série, incluindo cinco títulos fundamentais, todos interpretados por Sean Connery, que morreu em outubro de 2020. 

James Bond chegou ao cinema depois dos pulps, edições feitas com papel barato, fabricado a partir de polpa de celulose, criado pelo escritor Ian Fleming. Connery não foi o primeiro 007 – houve outro, anterior, numa obscura produção de TV –, mas foi o primeiro da série oficial. Quando ele estourou nas telas em 1962 – "My name is Bond" – em O Satânico Dr. No, o mundo todo já sabia que suas aventuras eram a leitura preferida do então presidente John Fitzgerald Kennedy, quando queria relaxar. Agente secreto do MI6 britânico, o duplo 00 dá-lhe licença para matar. Passados exatamente 60 anos, no cinema de ação ninguém mais precisa de licença para matar. Na época, foi um assombro. 

James Bond não apenas era um mocinho bem equipado – com armas, carros e tudo o mais que aumentasse seu poder de fogo –, como era um irresistível sedutor. Adiantou-se às mudanças de comportamento dos anos 1960 indo direto ao ponto, à cama, com mulheres lindíssimas, numa fase em que casados ainda dormiam em camas separadas na produção de Hollywood.

Seu drink ficou famoso, o Vesper Martini, assim batizado em homenagem a Vesper Lynd, a mulher por quem ele se apaixonou em Cassino Royale – o livro é de 1953. Os especialistas sabem: quando Mr. Bond pede um drinque com vodca batido, não mexido, ele está pedindo uma receita mais próxima do vésper do que de um dry martini. A receita pode ter surgido nos livros, mas, no cinema, a julgar-se pelo diretor de Dr. No – Terence Young – foi duro transformar o jovem Connery no personagem. Segundo Young, ele era grosseiro, vulgar, não tinha um pingo de sofisticação ou finesse. Não sabia pegar no copo, na arma, mas Young concedia – era bom com as mulheres. Não foi preciso ensinar-lhe nada nesse quesito. 

A Amazon Prime Vídeo traz os cinco primeiros interpretados por Connery, entre 1962 e 67. Depois de Dr. No, Moscou Contra 007, 007 Contra Goldfinger, 007 Contra a Chantagem Atômica e Com 007 Vive-se Duas Vezes. Após o primeiro, Terence Young dirigiu o segundo e o quarto. Guy Hamilton dirigiu o terceiro e Lewis Gilbert, o quinto. Connery deu por encerrada sua participação na franquia, mas voltou uma vez na série oficial – com 007 Os Diamantes São Eternos, de Guy Hamilton, 1971, também na série da Amazon – e outra fora da série, numa produção independente – Nunca Mais Outra Vez, de Irvin Kershner, 1983. Por ser outsider, o filme, dos melhores, não integra o pacote. 

Além de Connery e Craig, outros quatro atores fizeram o papel: George Lazenby, Roger Moore, Timothy Dalton e Pierce Brosnan. Todos estão presentes na série de lançamentos da Amazon. Com exceção de Lazenby, todos têm seus admiradores, mas, em geral, Connery é considerado o melhor 007. Craig, o segundo? Talvez. Uma coisa é certa. Os créditos de todos os filmes, criados via de regra por Maurice Binder e, depois que ele morreu, por outros grandes artistas gráficos, são verdadeiras obras de arte. As trilhas, também. E as bondgirls? Viraram objetos de desejo até que, com Craig, ganharam complexidade, e humanidade. Confira os títulos: 

O Satânico Dr. No (1962)

Direção de Terence UYoung, com Sean Connery, Ursula Andress, Joseph Wiseman.  Data de lançamento: 8 de abril  

O primeiro James Bond a gente não esquece. E ainda tem a bondgirl Ursula Andress como Honey/Mel, saindo do mar com aquele biquíni e a adaga na cintura.  

Moscou Contra 007 (1963)

Direção de Terence Young, com Sean Connery, Daniela Bianchi, Robert Shaw, Lotte Lenya.

Data de lançamento: 8 de abril  

No mundo da Guerra Fria, Bond enfrenta a SPECTRE numa corrida para obter o sistema de decodificação soviético das armas nucleares. Lotte Lenya, viúva de Kurt Weill e atriz brechtiana por excelência, faz uma vilã de arrepiar. 

007 Contra Goldfinger (1964)

Direção de Guy Hamilton, com Sean Connery, Gert Froebe, Honor Blackman.  

Data de lançamento: 8 de abril  

Nos créditos, a mulher com o corpo pintado de dourado já prepara o clima. O vilão Goldfinger quer destruir as reservas de ouro dos EUA. Honor Blackman, como Pussy Galore, foi uma das maiores bondgirls.

007 Contra a Chantagem Atômica (1965)

Direção de Terence Young, com Sean Connery, Claudine Auger, Adolfo Celi.  

Data de lançamento: 8 de abril  

Mr. Bond lança-se em batalhas submarinas para impedir o vilão Emilio Largo de destruir o mundo com duas armas nucleares. O italiano Adolfo Celi havia feito carreira no Brasil, na Vera Cruz. Claudine Auger talvez tenha sido a mais classuda das bondgirls.

Com 007 Só Se Vive Duas Vezes (1967)

Direção de Lewis Gilbert, com Sean Connery, Akiko Wakabayashi, Mie Hama.  

Data de lançamento: 8 de abril  

A aventura japonesa de 007, tentando, entre gueixas e piranhas, salvar o mundo do holocausto nuclear. Na época era só divertido, mas hoje talvez seja considerado o filme mais racista e sexista da série toda.

007 – A Serviço Secreto de Sua Majestade (1969)

Direção de Peter Hunt, com George Lazenby, Diana Rigg.  

Data de lançamento: 8 de abril  

O pobre Lazenby sempre amargou a fama de ser o pior 007. Talvez o papel, nesse filme, exigisse um ator melhor do que ele, mas a culpa era do próprio Bond. Apaixonado de verdade – e casando-se! –, ele está muito diferente das demais primeiras aventuras.  

007 – Os Diamantes São Eternos (1971)

Direção de Guy Hamilton, copm Sean Connery, Jill St. John, Lana Wood. 

Da África do Sul a Las Vegas, 007 enfrenta o sinistro Blofeld, que rouba pedras preciosas para construir um satélite destruidor do mundo.  

Com 007 Viva e Deixe Morrer (1973)

Direção de Guy Hamilton, com Roger Moore, Yaphet Kotto, Jane Seymour.   

O primeiro filme de Roger Moore no papel. Mr. Bond enfrenta o vilão Kananga com a ajuda de uma taróloga. Tem gente que acha Jane Seymour a mais bela de todas as bondirls. Solitaire é uma figura especial entre as mulheres de Bond. New Orleans e o vodu também ajudam no clima. Só para constar: a morte do vilão talvez seja a mais espetacular de toda a série. 

007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro (1974)

Direção de Guy Hamilton, com Roger Moore, Christopher Lee, Britt Ekland, Maud Adams, Herve Villechaize.

Bond enfrenta um assassino à sua altura, Scaramanga. Christopher Lee traz para o papel a persona que esculpiu nos filmes de terror da Hammer. Ele domina a energia solar, tem uma escrava sexual/Maud e um anão/Villechaize, da série Ilha da Fantasia, que lhe é totalmente devotado. O desfecho na 'funhouse' é ótimo, mas o último livro escrtito por Ian Fleming virou um dos filmes mais fracos da série.

007 – O Espião que me Amava (1977)

Direção de Lewis Gilbert, com Roger Moore, Barbara Bach, Curd Jurgens.

Bond liga-se a agente russa para descobrir quem está roubando submarinos nucleares. A cena inicial é de cortar o fôlego. Atenção para Richard Kiel, o perigo está nos dentes desse cara.

007 Contra o Foguete da Morte (1979)

Direção de Lewis Gilbert, com Roger Moore, Lois Chiles, Michel Lonsdale, Richard Kiel. 

Para o espectador brasileiro essa é a mais absurda das aventuras de 007. Ele está na Amazônia, vira uma árvore naquela curva e... Pronto! Está no Rio, no carnaval. Nonsense. Dessa vez o vilão Drax quer destruir a Terra com um gás mortal. E tem a cena com Dentes de Aço no bondinho da Urca.

007 – Somente Para Seus Olhos (1981)

Direção de John Glen, com Roger Moore, Carole Bouquet, Topol.  

Até aqui os diretores eram sempre os mesmos, revezando-se. John Glen traz alguma mudança na forma de narrar a história. Tornou-se efetivo. Bond tenta impedir que vilões se apropriem de navio desaparecido com instruções para acionar armas destruidoras.  

007 Contra Octopussy (1983)

Direção de John Glen, com Roger Moore, Maud Adams, Louis Jourdan.  

Bond investiga a morte do agente 009 e envolve-se com os soviéticos. Louis Jourdan foi por muito tempo o galã francês de Hollywood. Faz um vilão meio esquisito.  

007 – Na Mira dos Assassinos (1985)

Direção de John Glen, com Roger Moore, Christopher Walken e Tanya Roberts.  

O agente 007 enfrenta industrial ambicioso que não se importa de matar milhões de pessoas para ter o monopólio na indústria de microchips. Como sempre, Christopher Walken excede como o maluco de carteirinha.  

007 – Marcado para a Morte (1987)

Direção de John Glen, com Timothy Dalton, Maryam D’Abo, Jeroen Krabbe.  

Muda o ator e, francamente, Timothy Dalton talvez tenha sido o pior 007. Sem carisma, nem graça, ele é destacado para ajudar general soviético a desertar para o Ocidente, mas o cara desaparece.

007 – Permissão para Matar (1989)

Direção de John Glen, com Timothy Dalton, Robert Davi, Talisa Soto.  

Decidido a vingar a morte de amigos, 007 desobedece ordens e segue a trilha do criminoso. Último filme de Timothy Dalton no papel. Já foi tarde.  

007 Contra GoldenEye (1995)

Direção de Martin Campbell, com Pierce Brosnan, Sean Bean, Izabella Scorupco, Famke Janssen.

Após a queda do Muro de Berlim, agente russa especializada em computação ajuda 007 a impedir que um satélite capaz de controlar sistemas de destruição do mundo caia em mãos erradas. O mundo agora é dos mercenários.  

007 – O Amanhã nunca Morre (1997)

Direção de Roger Spottiswoode, com Pierce Brosnan, Jonathan Pryce, Michelle Yeoh.

Bond investiga incidentes entre britânicos e chineses e descobre que bilionário ocidental está ligado ao caso. Ex-assistente de Sam Peckinpah, o diretor Spottiswoode é bom de ação.

007 – O Mundo não é o Bastante (1999)

Direção de Michael Apted, com Pierce Brosnan, Sophie Marceau, Robert Carlyle.  

Bond é indicado para proteger herdeira do petróleo, mas ela tem ligação com anarquista que quer ver o mundo pegar fogo. O diretor Apted fez bons filmes de diversos gêneros, entre eles espionagem. Mistério no Parque Gorki e o 007 – qual o melhor?  

007 – Um Novo Dia Para Morrer (2002)

Direção de Lee Tamahori, com Pierce Brosnan, Halle Berry, Rosamund Pyke.  

Bond é objeto de troca e sai de uma prisão na Coreia do Norte. A partir daí, caça coronel que produz arma de alta tecnologia para destruir o mundo. Halle Berry imita Ursula Andress lá atrás e sai do mar de biquíni.  

007  – Cassino Royale (2006)

Direção de Martin Campbell, com Daniel Craig, Eva Green, Judi Dench, Jeffrey Wright. 

O recomeço. Daniel Craig encarna 007 e lhe dá nova dimensão. A história é de 007 a Serviço Secreto de Sua Majestade. Ele se apaixona pela nova Vésper e o filme tem a forma de um jogo de pôquer de alto risco. Bem no começo, 007 sai do mar de sunga, o equivalente masculino da Honey de Ursula Andress em Dr. No. 

007  – Quantum of Solace (2008)

Direção de Marc Foster, com Daniel Craig, Olga Kurylenko, Mathieu Amalric.

Daniel Craig exigiu e a produtora Barbara Broccoli, filha do iniciador da franquia – Robert Broccoli, em parceria com Harry Saltzman – , bancou seu desejo. Ele queria diretores autorais, e conseguiu. A nova aventura passa-se em boa parte no deserto do Atacama, no Chile, com uma locação impressionante – o maior telescópio do mundo. O filme não saiu tão bom como os demais de Craig, mas a russa Olga Kurylenko é uma bela bondgirl.

007 – Operação Skyfall (2012)

Direção de Sam Mendes, com Daniel Craig, Javier Bardem, Judi Dench, Naomie Harris. 

Bond falha numa missão e expõe as identidades dos agentes do MI6. A solução é caçar um tal Silva. Um diretor vencedor do Oscar – Sam Mendes, de Beleza Americana –, um elenco de oscarizados. Bardem, Dench. Javier faz um vilão memorável, consequência de seu papel em Onde os Covardes não Têm Vez, dos Irmãos Coen. 

007 Contra Spectre (2015)

Direção de Sam Mendes, com Daniel Craig, Léa Seydoux, Judi Dench, Christoph Waltz.

Mendes volta à direção e 007 investiga a organização criminosa SPECTRE, que já apareceu lá atrás, em outros filmes. Atenção para Léa/Madeleine. Será decisiva em Sem Tempo para Morrer.  

 

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