De cara nova, Belas Artes deve reabrir este mês

O Cine Belas Artes deve reabrir no final do mês. A previsão é do empresário André Sturm, dono da distribuidora Pandora Filmes e sócio do cinema ao lado da produtora O2. Ele é um dos principais responsáveis pela salvação do espaço e acompanha de perto sua reforma - um alívio para quem já ouviu boatos de que o Belas Artes encerraria suas atividades. As obras já duram quatro meses. Darão um ar totalmente repaginado ao novo complexo de cinema, que a partir de agora vai responder pelo nome de HSBC Belas Artes.O patrocínio, como se vê, vem do HSBC, mas Sturm prefere não revelar as cifras investidas pelo banco. O que se sabe que esta é uma das ações da instituição em homenagem aos 450 anos de São Paulo e integra uma campanha de investimentos na cidade, que vai destinar R$ 20 milhões em patrocínios culturais e filmes publicitários. As reformulações abrangem desde a infra-estrutura até a programação de filmes. "Vamos relançar o filme Cronicamente Inviável", adianta André Sturm. "Em uma das salas, vamos exibir um ciclo de produções, que ainda não foi definido, e nas outras cinco, haverá filmes inéditos."Estruturalmente falando, o número de andares - quatro pisos - e de salas - seis no total - será mantido. Do layout original, esta é uma das poucas características preservadas. "Quando assumi o espaço, o cinema estava decadente: a manutenção desatualizada, vazamentos, poltronas quebradas, carpetes manchados", conta Sturm. "A restauração será total, trocamos os carpetes, o sistema de som, os aparelhos de ar condicionado, todo o sistema de segurança. Estamos fazendo um cinema novo."As obras acarretarão outras modificações, como o saguão de entrada, que não terá mais o café e a bilheteria no meio do caminho. No lugar, o freqüentador encontrará uma área livre, que, segundo Sturm, vai melhorar a circulação e será mais seguro. O café e a bilheteria, por sua vez, serão deslocados para os cantos. No segundo andar, haverá outra área de espera no mezanino. O projeto arquitetônico é assinado por Roberto Loeb, que idealizou a Casa de Cultura de Israel, as reformas do Itaú Cultural e Santander Cultural, de Porto Alegre, enquanto a decoração dos interiores ficou a cargo de Alexandre Toro, diretor de arte de cinema e filmes publicitários.Somando as seis salas, o novo Belas Artes HSBC disponibilizará mil lugares. "Antes, havia um pouco mais de cadeiras, a redução foi pouca." André Sturm é um apaixonado por cinema. Sempre foi. Mais do que ser um cinéfilo voraz, tinha o sonho de ter um cinema. "Quando saiu no jornal que o Belas Artes poderia fechar, fui falar com o proprietário, que se comoveu com minha animação. Só que ele não queria mais investir no local", diz ele, que na época comprou a parte do grupo Estação, do Rio. Veio então a parceria do O2 e depois, o patrocínio do HSBC. "A idéia é oferecer uma programação de qualidade e diferenciada." Finalmente, Sturm está vendo o velho desejo se tornar realidade.

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