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De agenda cheia, Johnny Massaro passa por processo de reinvenção

Ator global está em nova série e nos longas ‘O Pastor e o Guerrilheiro’ e ‘Partiu Paraguai’, gravados antes da pandemia

Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

11 de julho de 2020 | 05h00

Quando, em janeiro, o ator Johnny Massaro, 28, terminou as agitadas filmagens do longa O Pastor e o Guerrilheiro que reproduziram a invasão da Universidade de Brasília em 1968, ele acreditava que, apesar da crise que atingiu o setor audiovisual, o ano seria promissor. 

Entre suas sete produções concluídas e na fila para estreia, estão duas minisséries da Globo – O Riso de Ariano, de João Falcão e Tatiana Maciel, com direção de José Eduardo Belmonte, e que foi livremente inspirada em casos que o escritor Ariano Suassuna contava sobre a sua vida, e Aumenta Que É Rock, com direção de Tomás Portella. Já o filme Os Primeiros Soldados, para o qual emagreceu 11 kg para interpretar um soropositivo no início da epidemia da aids, deveria estrear este ano nas salas de cinema enquanto O Pastor e o Guerrilheiro, que também leva assinatura de Belmonte, está em fase de finalização.

Mas, com a pandemia, abriu-se uma grande gaveta. Quando e onde exibir os trabalhos que deveriam estar no circuito? E quando e como será a volta ao trabalho? “Há dois meses, fiquei muito ansioso. Eu, ator, o que vou fazer? Não sei quando um set vai poder existir de novo, ou quando vão abrir os teatros”, disse Massaro ao Estadão. Em todo o Brasil, o setor que emprega 300 mil pessoas diretamente acompanha atônito às idas e vindas da pandemia.

O ator começou a carreira ainda adolescente, há 15 anos, na novela Floribella, da Band, na qual contracenou com o hoje ministro Mário Frias. Em tempos de reciclagem cultural, o folhetim vai ganhar uma reprise no canal. Em seguida, ele migrou para a Globo e integrou por três temporadas o elenco da novela teen Malhação, que o alçou ao time fixo de novelas da emissora carioca. 

Na Globo, Johnny Massaro fez também as novelas Deus Salve o Rei, A Regra do Jogo e Meu Pedacinho de Chão. A angústia com a paralisação do setor só não foi maior para o ator graças ao contrato que mantém com a emissora, que continua valendo apesar do adiamento das atividades na teledramaturgia. 

“Não faço ideia onde serão lançados (os filmes) nesse contexto. É preciso descobrir novos formatos. Desse desconforto e ansiedade, vão surgir coisas novas. O reforço do streaming veio em um bom momento. Ajuda a desafogar”, afirma. 

Em momento de reinvenção e apostas em novos formatos, Johnny Massaro estará em nova série da Globo gravada remotamente. O projeto, de Jorge Furtado, ainda não tem título definido e é algo novo em relação ao que já foi produzido no canal. Serão quatro episódios, cada um protagonizado por uma dupla. 

Johnny estará em três episódios, entre eles, com o casal Caio Blat e Luisa Arraes, que são seus vizinhos. A história tratará da convivência durante o confinamento e tem Andrucha Waddington e Patricia Pedrosa no time de diretores. Entre os roteiristas, nomes como Antonio Prata e Chico Mattoso. Os trabalhos começarão na próxima semana.

‘O Pastor e o Guerrilheiro’

Na última vez que pisou em um set, Massaro interpretou um estudante/guerrilheiro que acabou preso na mesma cela de um pastor evangélico no auge da ditadura. As gravações da famosa invasão da UNB agitaram a universidade e despertaram a ira de bolsonaristas. “Esse foi um dos filmes que mais me abriram horizontes para entender a nossa política. Conheci um lado da nossa história que deveria ser profundamente estudado nas nossas escolas. É uma cicatriz aberta que estamos encontrando de novo”, disse o ator. O longa também se passa no Araguaia, onde estava sediado um núcleo guerrilheiro do PCdoB que foi dizimado pelo Exército, e termina em 2000, na virada do século. 

Na invasão ocorrida em 1968, 300 estudantes foram presos dentro da universidade e um deles ficou cego devido a ação da polícia. A invasão tornou-se um dos pretextos para a instauração do AI-5, que marcou o momento mais crítico dos anos de chumbo. Em tempos de pandemia, a expectativa otimista é de que o longa chegue aos cinemas em 2021. Outra parte do filme foi gravada no Pará e se passa em 1972. “Esse filme existiria independentemente da falta de apoio governamental. Uma das tônicas é como a religião interfere na política. Isso vem de longe. Historicamente, a Igreja Católica interferiu muito, e agora um lado da Igreja Evangélica”, comenta. 

Entre os trabalhos inéditos, Johnny Massaro também tem na gaveta o longa Partiu Paraguai, com direção de Daniel Lieff, no qual interpreta o personagem Sócrates e atua lado da atriz Bruna Linzmeyer. E ainda Prisioneiro da Liberdade, com direção de Jefferson De, que narra a história do abolicionista Luiz Gama (1830-1882). Finalmente, Transe, direção de Carolina Jabor e Anne Pinheiro Guimarães, no qual vive um personagem inserido em um triângulo amoroso ao lado dos atores Luisa Arraes e Ravel Andrade – o cenário são as eleições presidenciais de 2018. 

Como diretor, rodou há oito anos o curta Amarillas, que estava perdido e foi encontrado e editado durante a quarentena. O curta, lançado no dia 8 de junho como web filme no Instagram, parte de uma frase do Livro das Perguntas, de Pablo Neruda: “Por que se suicidam as folhas quando se sentem amarelas?”, e conta a história de dois amigos em busca de um bom lugar para passar o fim do mundo, interpretados pelos atores Caroline Figueiredo e Rael Barja, com quem Johnny dividia o elenco em Malhação

Entre os atores convidados, estão Erom Cordeiro, Sophia Abrahão, Chay Sued, Bella Camero e Ícaro Silva. Ainda como diretor, Massaro recentemente rodou outro curta, Depois Quando, sem data de lançamento. A produção traz um jovem que se vê diante de um conflito ético por causa dos seus fones de ouvido sem fio.

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