Darren Aronofsky, a nova aposta de Hollywood

Um novo diretor renova as esperanças no cinema americano. Darren Aronofsky, o nova-iorquino de 31 anos que abalou o festival de Sundance em 1998 com o filme Pi, volta com o estonteante Requiem For a Dream, um dos melhores retratos sobre drogados desde Trainspotting. A indústria de Hollywood não perdeu tempo: ele já está contratado para fazer o próximo Batman.Se Corra, Lola, Corra e Vamos Nessa foram produções consideradas modernas nos últimos anos, Requiem vai muito mais longe. Aronofsky faz uma brilhante adaptação do romance escrito por Hubert Selby Jr. (de Noites Violentas no Brooklyn) em 1978. Ele usa uma série de técnicas exploradas nos últimos tempos por nomes como Harmony Korine e Spike Jonze (como câmeras presas ao corpo dos atores e lentes especiais), só que de maneira ainda mais criativa.Requiem conta a história de Harry e Tyrone, que moram na pacata vizinhança de Brighton Beach, reduto polonês e russo do Brooklyn, e resolvem começar a vender drogas. Enquanto tentam ganhar dinheiro e se divertir consumindo tipos variados de drogas, a mãe de Harry, Sarah, vai estabelecendo uma relação de dependência cada vez maior com a televisão e, depois, com pílulas para emagrecer. A partir disso, a história segue em um alucinante espiral para o fundo do poço.Com um ritmo frenético (mas que não utiliza os clichês tipo MTV de Corra, Lola, Corra) e um clímax quase tão chocante quanto o fim de Dançando no Escuro, o filme tem uma fotografia sensacional e uma das trilhas sonoras mais criativas dos últimos tempos (assinada por Clint Mansell, ex-integrante do grupo Pop Will Eat Itself, com a participação do ótimo Kronos Quartet, de cordas).As atuações do filme são um espetáculo à parte. Jared Leto, que apareceu em O Psicopata Americano e Além da Linha Vermelha faz o papel de Harry, enquanto Marlon Wayans (de Scary Movie) é Tyrone. A bela Jennifer Connely, que estrela o seriado de TV The Street, é a namorada de Harry, cuja trajetória também não é das mais felizes na trama.Mas o destaque é a veterana Ellen Burstyn, que concorreu ao Oscar por O Exorcista (que está de volta aos cinemas americanos). Sua interpretação como a viúva que vai ficando paranóica com os eletrodomésticos dentro de um apartamento escuro tem tudo para ganhar uma indicação para o Oscar. A cena em que ela se sente perseguida simultaneamente pela televisão e pela geladeira é uma das mais memoráveis do cinema.Aronofsky cresceu no Brooklyn e estudou cinema e animação em Harvard. Seu trabalho de conclusão de curso, Supermarket Sweep, lhe rendeu uma bolsa para uma pós-graduação no American Film Institute. Com US$ 60 mil angariados com a família e amigos ele fez Pi, uma alucinante exploração da paranóia de um matemático sobre o funcionamento da vida moderna. Todo em preto-e-branco, o filme dava pistas do talento do diretor.A produção foi comprada por US$ 1 milhão após ser exibida em Sundance, o que deu fôlego para o início da produção de Requiem, feito com um orçamento de US$ 4,5 milhões. O filme estreou nos cinemas americanos na semana passada sob uma avalanche de boas críticas. O caminho parecia inevitável: Aronofsky já estava fechando contrato para dirigir Batman: Year One, a nova aventura da série, que vai se passar em um período anterior ao dos outros filmes. A produção, que está sendo mantida em segredo e ainda não tem elenco definido, começa a ser rodada na metade do ano que vem.

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