Rafael Vázquez/EFE
Rafael Vázquez/EFE

Darín, depois de 50 anos como ator, ainda trabalha em ritmo frenético

O ator argentino recebeu o Prêmio Gloria, do Festival de Cine Latino de Chicago, por sua produtiva e bem-sucedida carreira

Jorge Mederos, EFE

19 Abril 2018 | 13h17

O ator argentino Ricardo Darín, às vésperas de receber o Prêmio Gloria, do Festival de Cine Latino de Chicago, por sua produtiva e bem-sucedida carreira, disse à EFE que, após 50 anos de “filmagem” e mais de 40 filmes, ele ainda se sente capaz de trabalhar em um ritmo frenético.

“Eu tenho 61 anos, mas ainda me sinto caminhando nessa viagem”, disse ele durante uma entrevista em seu hotel em Chicago, horas antes de receber o Prêmio Gloria por sua trajetória profissional no Latino Film Festival Internacional que se realiza há 34 anos nesta cidade.

“A realidade obriga você a enfrentar certas coisas que não dá para esconder com a idade, mas a minha realidade é trabalhar, e eu me movimento muito entre o cinema e o teatro. O problema será quando deixar de fazer isso”, disse o ator, que chegou a atuar em até três filmes num ano e tem encenado há anos a peça Escenas de la vida conjugal, que ele apresentou em seu país, além de Chile, Peru, Uruguai e Espanha.

Darín, também diretor e agora produtor de cinema, acredita que os prêmios e reconhecimentos como o de Chicago “são abraços e estímulos muito importantes” na vida dos artistas, especialmente quando eles vêm de “pessoas que entendem, que são do meio”, em particular agora que ele começou a produzir seus próprios filmes.

Segundo ele, existem no mercado produtos “mais protegidos e incentivados” que outros, porque pertencem a empresas cinematográficas de alcance mundial e possibilidade de recuperação mais rápida do investimento feito.

“Para nós tudo nos custa muito, mas seguimos em frente”, disse o ator de Nove Rainhas, que acaba de terminar as filmagens em Buenos Aires de El Amor menos Pensado (ainda sem título em português), uma comédia romântica que estrelou com a atriz Mercedes Morán, com quem trabalhou em 2004 em Clube da Lua.

++ Filme de Asghar Farhadi com Penélope Cruz, Javier Bardem e Ricardo Darín abrirá Cannes

Este filme, o primeiro filme de Juan Vera, é a primeira coprodução da companhia de Darín, e de seu filho "Chino" Darín, que também é ator, com a Patagonik Filmes da Argentina.

Enquanto prepara o próximo projeto, o ator aguarda "com muita curiosidade”, a estreia de Todos lo Saben (também sem título no Brasil), escrito e dirigido pelo iraniano Asghar Farhadi, no qual Darín dividiu a cena com as estrelas de cinema espanhol Penelope Cruz e Javier Bardem.

“Ainda não vi o filme pronto, embora tenha noções gerais e os comentários de meus colegas e do diretor”, disse ele sobre o filme, escolhido para abrir em maio o prestigiado Festival de Cannes.

O ator considerou “uma experiência muito rica” ​​ter trabalhado com Farhadi, vencedor do Oscar de filme em língua estrangeira em 2012 por A Separação, e em 2017 por O Viajante, com quem ele se entendeu perfeitamente, embora o diretor não fale espanhol.

“Falamos a linguagem cinematográfica e é isso que importa”, disse Darín, que disse ter comprovado “que se pode aprender com os mais jovens", porque Farhadi é mais novo do que ele, mas transmite a sensação de uma “aprendizagem permanente”, comentou.

Darín destacou em sua longa carreira, que começou como ator infantil, as filmagens de Nove Rainha (de Fabian Bielinsky, 2000) e O Filho da Noiva (de Juan José Campanella, 2001), duas histórias com personagens muito diferentes. Foram esses filmes que lhe serviram como uma carta de apresentação a nível internacional.

No primeiro interpreta Marcos, um vigarista, e no outro Rafael, um homem de quarenta anos dominado pelo estresse causado por um restaurante herdado de seu pai.

Segundo o argentino, o primeiro problema dos atores é conseguir um emprego, o segundo é manter uma certa estabilidade e o terceiro “receber consideração”.

Em seu caso, ele disse que sua “grande sorte” foi ter feito esses dois filmes, que “foram minhas credenciais” para o público visse suas facetas como ator e ele começasse a ser conhecido fora da Argentina. O ator voltou a trabalhar com Campanella em O segredo dos seus olhos, que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2010.

Considerado um ícone da cultura do seu país e uma referência que vai além do cinema, ele é ouvido pelos meios de comunicação em relação a qualquer evento que ocorre no país. Darín reconhece que tem tido problemas com suas opiniões e que o tempo o tornou mais cauteloso.

“Mas eu continuo sentindo com o meu estômago, e se há algo que realmente vale a pena dizer, mesmo com o risco de cometer um erro, eu me lanço, e vou continuar a fazê-lo", disse ele.

Tradução de Claudia Bozzo

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