Danny Boyle volta às telas com "Caiu do Céu"

Iniciada há 12 anos com Cova Rasa, a carreira do diretor inglês Danny Boyle tem seguido uma trilha disparatada, para dizer-se o mínimo. Com Trainspotting - Sem Limites, chamado ora de ´A Laranja Mecânica dos anos 90´ ou o ´Kids britânico´, provocou impacto menos por tratar o mundo dos drogados com realismo do que por deixar claro que o problema não era só de um punhado de jovens. A droga era tratada como doença social.Consagrado como talento promissor, Boyle foi cooptado por Hollywood e aí começou o disparate. Ele fez, sucessivamente, Uma Vida menos Ordinária, A Praia e Extermínio, além de dois filmes que não foram lançados nos cinemas brasileiros - Vaccuming Completely Nude in Paradise e Alien Love Triangle. Danny Boyle propõe agora Caiu do Céu, que estréia hoje.É um filme que tem certos pontos de contato com Querido Frankie, que também estréia hoje - ambos tratam de crianças, de afetos e carências e em ambos a figura do pai é essencial. Terminam as semelhanças e começam as diferenças. Caiu do Céu baseia-se no roteiro que originou o livro homônimo de Frank Cottrell Boyce, editado no País pela Nova Fronteira. O filme conta a história de dois garotos (e um é o narrador). Perderam a mãe e o que narra é o mais suscetível ou impressionável - interessa-se tanto pelos santos que é capaz de desfiar suas vidas (e os sacrifícios que fizeram). Inesperadamente, quando ele está isolado, no seu mundinho (uma caixa de papelão na estrada de ferro), cai do céu uma mala de dinheiro. O herói quer doar o dinheiro aos pobres. Seu irmão, mais prático, quer gastar ele mesmo - mas não é fácil porque se trata, afinal de contas, de quase 300 mil libras e em 11 dias a moeda será mudada para que a Inglaterra adote o euro. O diretor Boyle tenta harmonizar as várias tendências de sua obra - realismo, onirismo, observação social, humor. Seu filme é uma salada que só não se torna indigesta por causa dos atores que fazem os meninos, especialmente o mais jovem. Mas a solução ´mágica´ do desfecho é um desastre. Não dá para levar a sério um filme que termina daquele jeito. Na sua (quase) pieguice, Querido Frankie é mais honesto. E emocionante.

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