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Daniela Thomas também investiga a História do País em 'Vazante'

Longa aborda a escravidão em Minas, antes da Independência

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

11 Janeiro 2017 | 03h00

Desde 2009, Daniela Thomas vinha captando para fazer Vazante. Embora seja um B.O., produção de baixo orçamento, o longa desencorajava investidores por sua abordagem da questão racial em pleno período colonial. “Creio que não se pode entender as questões de classe no Brasil de hoje sem se referir à herança escravagista”, avalia a diretora. O filme, que será apresentado na seção Panorama do Festival de Berlim, em fevereiro, se inspira numa história de família. “Meu pai tinha um ancestral de 40 e poucos anos, que se casou com uma menina de 12. Isso não era nem um pouco estranho naquela época, embora fosse uma relação de dominação e força.”

Vazante é um pequeno filme em preto e branco, feito sem nenhum artifício. “A iluminação é feita à luz de velas e de fogo. Está bem interessante”, promete a diretora. A história passa-se em Minas Gerais, em 1821, e aborda a vida nos locais de extração de pedras preciosas. O senhor precisa afastar-se e a sinhazinha menina liga-se aos escravos. “A integração, no Brasil, não se deu na sala, mas em outras vias e dependências”, diz a diretora. Suas pesquisas para construir a ficção de Vazante lhe permitem afirmar - “Essa cultura representa, muito tempo depois, a base sobre a qual se construíram as relações sociais no Brasil. Apesar disso, é pouco estudada. Ainda precisamos recuperar a monstruosidade desses eventos.”

Daniela codirigiu com Walter Salles Terra Estrangeira e Linha de Passe. E o mais curioso é que ela, agora, não tem um filme solo, mas dois. Daniela terminou Vazante e o submeteu à comissão de seleção de Berlim, que o admitiu na mostra Panorama. Está adorando - “É uma vitrine importante, e sem a pressão da competição.” Em São Paulo, enquanto não viaja à Alemanha, finaliza outro longa, Banquete, situado em pleno processo de redemocratização, nos anos 1980. “É a realidade do cinema no País. O dinheiro não sai, ou sai ao mesmo tempo. São filmes diversos, mas que colocam questões muito ricas”, define a diretora.

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