Gui Maia/Divulgação
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Dan Stulbach está em todas: rádio, teatro, TV e ainda estreia o filme ‘O Vendedor de Sonhos’

Longa é dirigido por Jayme Monjardim a partir do livro de Augusto Cury

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

11 Dezembro 2016 | 04h00

Dan Stulbach está em todas as mídias. Rádio, com Fim de Expediente. Teatro, com A Morte Acidental de Um Anarquista. TV, com Bola da Vez. Desde quinta, 8, ocupa os cinemas com O Vendedor de Sonhos. Ufa! E vem mais – um dia antes de falar com o repórter, ele foi ao Rio rapidinho num bate-volta para acertar sua participação na próxima novela de Glória Perez, A Força do Querer. Não sabe nem o papel que vai fazer nem que núcleo vai integrar. As novelas de Glória têm sempre núcleos bem precisos. Pobres, ou vá lá que seja, classe média. Ricos. Com aquela cara, e aquele olho claro, Dan Stulbach só pode estar no núcleo rico.

Ele ri. Faz um ricaço em O Vendedor de Sonhos, mas logo na abertura do filme que Jayme Monjardim adaptou de Augusto Cury ele sobe no alto do prédio em que tem consultório – faz um psicólogo muito bem-sucedido – e ameaça se atirar. Surge o vendedor de sonhos, um tipo meio maltrapilho – mas que você vai descobrir, já foi da classe dirigente, como Dan –, interpretado por César Troncoso. Convence Dan, enfim, o personagem, a não se matar. E inicia uma jornada de (re)descoberta, em busca de segunda chance. No material de divulgação, Monjardim revela o barato que o incentivou nesse caso. “É alimentar as pessoas com a ideia de que podem dar uma guinada de 180 graus na vida delas.”

No cinema, o grande filme de Dan permanece Tempos de Paz, de Daniel Filho, baseado na peça de Bosco Brasil, Novas Diretrizes em Tempos de Paz, que ele fez no teatro. Dan conta – “Recebi o convite do Jayme. Tivemos um encontro para conversar. Não conhecia esse universo do Augusto (Cury). Jayme me fez um convite muito atraente. Me propôs uma experiência de minimalismo. Fazer o personagem o mais discreto possível. Achei o desafio bem estimulante.” Discrição, em termos. Por uma questão de estilo, Jayme Monjardim carrega tanto na cor – céus de nuvens borrascosas – e na trilha que a interpretação menos neutra poderia tornar o filme insuportável. Talvez seja – insuportável. Muitas frases feitas, autoajuda. Mas o público adora Augusto Cury. É um fenômeno editorial.

O ator (Dan) admite que, de cara, chegou a um entendimento com o uruguaio, cada vez mais brasileiro, Troncoso. “A coisa só ia funcionar se a gente pegasse junto.” Salvam-se – os dois –, e já é alguma coisa. Dan fala alguma coisa sobre outro filme que ainda está a caminho. “Esse é bem bacana, você vai gostar.” Fala de Rio Santos, de Klaus Mitteldorf, no qual forma dupla com Bruna Marquezine. O famoso fotógrafo de moda retorna aos anos 1970, quando, principiante e munido de uma câmera super-8, filmou os pioneiros do surfe na Baixada. As cenas do passado entram como lembranças do personagem de Dan. Ele está bem animado.

Segue animadíssimo com seu programa de rádio – “Ah, é muito gosto. E trabalho com uma galera que conheço há muito tempo. Sou amigo há uma vida do José Godoy e do Luiz Gustavo Medina. Então, a gente está fazendo o que gosta, e com entendimento. Se não fosse assim, não faria sentido.” O Bola da Vez é outra delícia. “A gente não encara só o futebol. Encara o esporte em geral, a vida. Aborda tudo. Já fizemos programa sobre abuso sexual no esporte. É muito forte, e o retorno é imediato.” Esse retorno ele buscou no teatro com sua decisão de montar A Morte Acidental de Um Anarquista. Está rodando há tempos com a peça do italiano Dario Fo.

“Queria fazer alguma coisa que fosse divertida, mas inteligente. Não um simples espetáculo de comédia, mas algo com substância.” O texto é sobre um homem de sanidade mental duvidosa, que é preso por falsidade ideológica. Levado à delegacia, é interrogado por juiz que investiga a misteriosa morte de um anarquista.” A plateia é levada a participar nos rumos da investigação. “Mais que uma experiência de teatro de participação, acho que estamos fazendo teatro jubilatório. Uma coisa com alegria e entusiasmo.” Dan contracena com Henrique Stroeter. “O Henrique viu a montagem dos anos 1980 com Antônio Fagundes e diz que foi o espetáculo que despertou nele o desejo de ser ator. Eu não vi, mas estou amando fazer esse ‘louco’ que, quando surgiu em minha vida, era diferente de tudo o que havia feito.”

A morte do dramaturgo vencedor do Nobel – em 13 de outubro – mexeu com ele. “Era muito jovem, ainda estudava na EAD (Escola de Artes Dramáticas da USP) quando o Dario veio apresentar o Misterio Buffo. Lembro-me de que ele ficava na porta do teatro recolhendo os ingressos.” Essa relação desglamourizada com o teatro impressionou-o muito. Serve de inspiração. Dan, muito falastrão sobre a diversidade do seu trabalho, fecha-se em copas quando o assunto é vida privada. É casado há dez anos, pai de um casal de filhos. E...? “Adoro meus filhos, mas não gosto de ficar falando. Ser pai me permitiu entender o meu pai e personagens como o de Vendedor de Sonhos”, conclui.

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