'D. Giovanni', numa sala bem perto de você

Obra de Mozart será exibida em cinco cidades do Brasil, a partir do dia 26

Pedro Caiado, Londres - Especial para O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2014 | 02h14

Esqueça as formalidades que antecedem a ida ao balé ou à ópera. É bom lembrar que uma noite na tradicional Royal Opera House, por exemplo, vai significar desembolsar cerca de R$ 800 por um ingresso (em um bom lugar), além dos gastos com o figurino de gala e a viagem até Londres. O ritual de preparação para se ir à ópera pode até seduzir algumas pessoas, mas, certamente, tende a esmorecer a maioria. No entanto, o gênero, que sempre é relacionado à elite, tem se tornado cada vez mais popular. Tudo isso, graças às salas de cinemas.

Mais de mil exibidores em 41 países têm trazido os espetáculos do Royal Opera House de Londres para mais perto do público. No Brasil, são exibidos desde 2013, em 22 cidades, com um público impressionante de 35 mil pessoas. No País, entre os dias 26 e 29, a rede de cinemas Cinemark apresenta a ópera Don Giovanni, de Mozart, em cidades como São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Brasília e Curitiba. Obra que estreou em 1787, integra a nova temporada da Royal Opera House, de Londres.

Até agora, oito espetáculos foram mostrados, entre Romeu e Julieta e Macbeth, mas a ópera Tosca, de Giacomo Puccini, e o balé Giselle, são os preferidos dos brasileiro: mais de 8 mil pessoas em cada performance. Este ano, estão programadas ainda as produções de A Bela Adormecida, O Conto de Inverno e a ópera Don Giovanni.

A Royal Opera House anunciou, recentemente, que a temporada 2014/15 do Cinema ao Vivo, como é chamado o projeto, vai ultrapassar os 670 mil espectadores. "É a nossa maior programação de cinema até agora. Pela primeira vez, a audiência dos nossos espetáculos nas salas vai superar a do Covent Garden", disse Alex Beard, chefe executivo da Opera House.

Na Europa, a exibição de espetáculos ao vivo, desde shows de rock a peças de teatro, é uma tendência forte. Recentemente, o National Theatre mostrou a adaptação de Coriolano, de Shakespeare, estrelado pelo ator Tom Hiddleston - em cinemas de Hong Kong a Nova York. Há alguns anos, bandas como U2 e Simply Red (que transmitiu o encerramento de sua turnê final) utilizam os cinemas para alcançar audiências que não puderam comparecer às apresentações ao vivo.

A ação da Opera House é também uma tentativa de desfazer o mito de que óperas e balés são exclusividade da elite. Kaspen Holten, diretor de ópera da casa, reiterou. "É importante trazer ao público a diversidade da arte", afirmou, acrescentando a preocupação com os jovens. "Esse público é bombardeado com entretenimento comercial, mas o gosto deles pode ir muito além disso. Queremos dividir os prazeres da ópera com mais gente", completou.

A Opera House também está de olho na tecnologia para atrair o público jovem. Don Giovanni, por exemplo, é encenada em palco moderno e complexo em que imagens de vídeo são projetadas em cenário rotativo. Cantores entram e saem de portas que parecem estar se movendo. Uma superprodução tecnológica criada pelo mesmo produtor que transformou os concertos do U2 e o encerramento da Olimpíada de 2012 em espetáculos visuais. No Brasil, as óperas são legendas em português.

'A Bela Adormecida'. O Estado conferiu o balé em uma das noites da curtíssima temporada em Covent Garden. É um dos mais queridos clássicos do século 19. O foco aqui é recriar a história com os movimentos dos bailarinos. E há beleza em todo lugar - dos figurinos aos cenários. Mas são as coreografias perfeitamente executadas que marcam os três atos em pouco mais de duas horas de performance. A música do maestro Valery Ovsyanikov traz cor e drama à trilha com seu impressionante time de solistas.

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