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Curtas nomeados para o Oscar de 2020: nada para rir

Filmes sombrios, de suspense e inventivos marcam os 15 trabalhos indicados à premiação em três categorias

Glenn Kenny, The New York Times

03 de fevereiro de 2020 | 07h00

Não há muito humor ou senso de fair play nos 15 trabalhos indicados ao Oscar em três categorias de curtas.

O programa de documentários às vezes é quase espinhosamente sombrio. O melhor do lote é In the Absence, de Yi Seung-Jun, um relato conciso, angustiante e irritante do naufrágio do ferry sul-coreano Sewol, que levou mais de 300 vidas em 2014. A Vida em Mim, dirigido por John Haptas e Kristine Samuelson, examina a síndrome de resignação entre filhos de imigrantes refugiados na Suécia. A história de crianças que caem em estados comatosos em reação à perspectiva de deportação é fascinante e medonha, mas sua narrativa é afetada. O autoexplicativo Learning to Skateboard in a Warzone (If You’re a Girl) [Aprendendo a andar de skate em uma zona de guerra (Se você é uma garota)] é ambientado no Afeganistão. A abordagem da diretora, Carol Dysinger, aponta para leveza. O retrato ativista St. Louis Superman, dirigido por Smriti Mundhra e Sami Khan, é inspirador e preocupante.

Na categoria live-action, A Sister, dirigido por Delphine Girard, é uma peça de suspense com pertinência social. The Neighbors' Window (A Janela dos Vizinhos), dirigido por Marshall Curry, é uma parábola obsoleta do voyeurismo, mas o Nefta Football Club de Yves Piat é uma hábil parábola antidrogas. E a imagem mais animada do lote.

Os filmes de animação são todos inventivos, e Hair Love, de Matthew A. Cherry, Everett Downing Jr. e  Bruce W. Smith, tem muita compaixão e charme. Mémorable, de Bruno Collet, uma história de demência contada em animação de argila, é surpreendente. O herói sofredor é frequentemente reproduzido em um estilo texturizado de Van Gogh, com efeitos impressionantes. O programa animado apresenta três curtas adicionais "altamente recomendados", mas não indicados para premiação. Um deles, Hors Piste, uma extravagância de palhaçada inflada pela Aardman, dirigida por Léo Brunel, Camille Jalabert, Loris Cavalier e Oscar Malet, deveria ter recebido uma indicação.

Tradução de Claudia Bozzo

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