Curtas mostram facetas da violência urbana

A violência urbana, tanto a mais crua, vivida em bairros dominados por gangue, até a mal disfarçada, que se espalha pelas ruas de bairros refinados, é o tema principal do novo ciclo do Curta Petrobras às Seis, em exibição desde sexta-feira, no Espaço Unibanco de Cinema, com entrada gratuita. São três filmes com ritmos diferentes, mas conclusões semelhantes e amargas: a violência veio para ficar.O primeiro curta, Rota de Colisão, utiliza o poder da imagem. Depois de um roubo, um ladrão, um operário e um menino de rua têm seus caminhos cruzados, que convergem para um destino trágico. O diretor Roberval Duarte optou por minimizar os diálogos, apostando nas expressões dos atores Sílvio Guindane Xande Alves e Jurandir Oliveira. A decisão permitiu criar um trabalho instigante, em que o produto do roubo prova que muitas pessoas cedem à tentação de ficar com um objeto valioso que não lhes pertence.Se Duarte preferiu um filme baseado mais em ruídos e imagens, o curta seguinte, É o Bicho, de Sylas Andrade, segue no caminho inverso. Trata-se da história de um apontador de jogo de bicho que, por ter vivido sempre na mesma esquina do bairro, desfruta de prestígio e admiração com os moradores de dois mundos tipicamente cariocas: o morro e o asfalto.Duas histórias são narradas em paralelo e com personagens bem distintos. De um lado, o apontador, cumprimentado por todas as pessoas por onde passa, um clima de visível cordialidade. De outro, um grupo de assaltantes, formado por menores violentos, em constante estado de tensão e que abusam de sua linguagem própria.Como o apontador, interpretado por Joel Andrade, dispõe da abusiva liberdade para matar, a história é solucionada de uma forma abrupta quando os caminhos se cruzam. Trata-se de um perigoso desfecho, que aponta para uma solução infelizmente cada vez mais comum nas ruas das grandes cidades brasileiras: a justiça feita com as próprias mãos.A terceira história, Almoço Executivo, muda o cenário: enquanto as anteriores são ambientadas no morro ou periferia, agora a ação se passa na Praça Vilaboim, no ainda aristocrático bairro de Higienópolis, em São Paulo. No filme de Marisa Person e Jorge Espírito-Santo, um grupo de amigos encontra-se para um almoço em um restaurante chinês.O conflito começa quando um dos amigos se revolta com o abuso de um casal, que estaciona seu carro importado em local proibido, à frente de uma construção, impedindo o trabalho dos operários. A decisão de resolver a transgressão com um depredamento do carro provoca uma histeria coletiva, com todas as pessoas da região abandonando seus carros para participar da baderna. Apesar das interpretações um tanto exageradas, o filme revela que, em cada um, a violência está por um fio.O Curta Petrobras às Seis é exibido em cinco cidades: além de São Paulo, em Fortaleza, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Juiz de Fora, sempre com sessões diárias às 18 horas.

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