Curtas franceses mostram ritos de passagem da infância

'O Balão Vermelho' e 'O Cavalo Branco' estréiam em cópia restaurada e são exibidos juntos na mesma sessão

Alysson Oliveira, da Reuters,

08 de julho de 2003 | 16h11

Apesar da pirotecnia que invade os cinemas na época de férias escolares, as crianças terão a chance de conhecer dois filmes antigos com um ritmo e uma proposta bem diferentes. Os curtas franceses O Balão Vermelho (1956) e O Cavalo Branco (1953) estréiam em cópia restaurada em São Paulo, nesta sexta-feira, 4, e são exibidos juntos na mesma sessão.   Veja também: Trailer de 'O Balão Vermelho' e 'O Cavalo Branco'  Trailer de 'O Escafandro e a Borboleta'    Mais de 50 anos depois de sua primeira exibição, O Balão Vermelho, de Albert Lamorisse (1922-1970), ainda continua atual e capaz de encantar.   A trama é tão simples quanto mágica: um menino encontra um balão vermelho preso a um poste, quando vai à escola. Ele pega a bexiga mas, ao chegar em casa, a avó solta o balão pela janela. Demonstrando uma estranha lealdade, o balão se recusa a ir embora e passa a seguir o garoto pelas ruas de Paris.   Junto com seu balão, Pascal (Pascal Lamorisse, filho do diretor) enfrenta os ritos de passagem para a vida adulta, como a perda, a descoberta do amor, o medo e a ansiedade.   A bexiga, ora um fantasma, ora um anjo da guarda ou até mesmo um cachorro de estimação, parece ser o símbolo de despedida da infância, o último brinquedo - aquele para se lembrar a vida toda.   O vermelho do balão surge como um grito colorido em meio a uma Paris melancólica, dominada por tons pastéis, cinzas e marrons.   O filme ganhou diversos prêmios, como a Palma de Ouro e o Oscar de roteiro original (o único nesse formato a ganhar um prêmio na categoria).   O Cavalo Branco é o segundo filme mais conhecido do diretor Lamorisse. Diferentemente do Balão, a história se passa longe do ambiente urbano, com apurado registro documental em algumas cenas - como numa briga entre dois cavalos.   O mais interessante é que o diretor consegue encontrar um caminho poético para explorar o real, o documental. Lamorisse, aliás, ficou conhecido com um dos mestres do documentário poético.   O Cavalo Branco, como o outro curta, explora as dores e alegrias do rito de passagem para a vida adulta - quando a criança deve abrir mão de algumas coisas de seu universo para entrar em outro.   O desejo de liberdade, tanto do cavalo, quanto do jovem pescador, também abre um diálogo com públicos de qualquer idade.   Se por um lado os efeitos visuais da era pré-computação gráfica do Balão chamam a atenção, por outro, a densidade emocional do filme é o que garante sua atemporalidade e universalidade.   Recentemente, O Balão Vermelho serviu de inspiração para A Viagem do Balão Vermelho, de Hou Hsiao-hsien, ainda inédito no circuito comercial brasileiro, mas exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2007. Em seu filme, o diretor taiwainês recria o curta de Lamorisse, dando voz a outros personagens, além do menino.

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