Curtas chocam público em Gramado

Dos três curtas que foram exibidos ontem na mostra competitiva do 28.º Festival de Gramado, somente Aldeia de Geraldo Pioli passou imune diante do público que esteve no Palácio dos Festivais. A história divertida de um jesuíta que tenta ensinar a uma tribo indígena os dez mandamentos arrancou aplausos e risadas.O curta Passadouro, de Torquato Joel, é na verdade um exercício de cinema, que mostra pequenos momentos de pessoas que vivem e trabalham no campo. Imagens belíssimas, que se apresentam em seqüências lentas, insinuantes e cautelosas, com cenas silenciosas mas extremamente assustadoras e poderosas. Só que o público não conteve o burburinho quando a câmera se deteve para analisar o corpo dependurado e sem pele de um bode morto. A cena acontece no começo do filme, quando ainda não é possível identificar qual o intuito do trabalho de Joel, o que reforça mais a estranheza.Mas o que chocou mesmo foi o curta Sargento Garcia, de Tutti Gregianin, baseado no conto homônimo do escritor e jornalista Caio Fernando Abreu. O filme conta a história de Hermes (Gedson Castro), um garoto reflexivo, aspirante a filósofo, indeciso e inexperiente. Ele é humilhado pelo tal sargento Gracia do título, interpretado por Marcos Breda, durante sua apresentação ao serviço militar. Depois de ser liberado, o sargento carrasco se faz amigável, seduz o adolescente e o leva para um motel. Apesar do filme (assim como a obra de Abreu) ser somente um retrado poético desse jovem confuso e consternado intelectual e espiritualmente, a platéia novamente se espantou.

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