Curta conta histórias da FEB na 2ª Guerra Mundial

A história da 2.ª Guerra Mundial sempre encantou o escritor Douglas Camargo Pinto, de 21 anos, especialmente as estratégias militares. Espectador assíduo de filmes sobre o conflito, ele decidiu estudar o assunto. O que chamava sua atenção, no entanto, era o pequeno destaque para a participação brasileira, especialmente a ação dos expedicionários na Itália. A curiosidade em aprofundar o assunto permitiu a descoberta de que em sua cidade, Sorocaba, havia um número expressivo de ex-pracinhas. "Depois de muitas entrevistas, escrevi um livro e agora pretendo realizar um curta-metragem sobre a história desses heróis", explica o escritor, autor de "Heróis Brasileiros", lançado pela editora L. A. e que pode ser encomendado pelo telefone (15) 231-1521. O título do curta será o mesmo do livro.Nas conversas, Douglas percebeu a mágoa dos ex-combatentes com o que consideram um esquecimento pelos seus atos. Em 1944, depois de Getúlio Vargas declarar guerra à Alemanha, Itália e Japão, o Brasil enviou para a Europa o 1º. Escalão de Expedicionários, que se integrou ao 5º. Exército dos Estados Unidos, que contava ainda com membros de outras nações. Sob o comando do general Mascarenhas de Moraes, o primeiro grupo era formado por 25.445 soldados. Desses, 481 tombaram em combate. O escritor conseguiu detalhes do período em que os pracinhas enfrentaram o inimigo sob um forte frio. "Cada um teve uma experiência única e todos lembram de quase tudo com muita precisão."Cerca de 120 pracinhas vivem na região de Sorocaba, onde se encontram habitualmente em uma associação para relembrar suas histórias. É curiosa, por exemplo, a distinção entre as cores nas boinas que todos ainda guardam. "As verdes identificam aqueles que não foram à guerra e as amarelas, os que integraram a Força Expedicionária Brasileira." Em outra história ouvida por Douglas Pinto, um ex-combatente conta ter visto um submarino alemão navegando próximo da costa brasileira, o que teria sido uma das razões de o Brasil ter entrado na guerra.Outra curiosidade diz respeito a uma expressão utilizada pelos soldados e que acabou conhecida por outros batalhões estrangeiros: "A cobra está fumando." Segundo o escritor, a frase era uma forma de comentar que a situação não estava boa. "É que Monte Castello, na Itália, onde estavam os brasileiros, era uma posição estratégica dos nazistas, que resistiam em perdê-la."Outra versão ouvida por Douglas remonta ao período anterior à entrada do Brasil na guerra. Segundo ele, como a sociedade era governada pela ditadura Vargas, dificilmente o País aderiria ao conflito contra nações comandadas por outros ditadores como Adolf Hitler e Benito Mussolini. "Dizia-se, então, que era mais fácil uma cobra fumar que o Brasil entrar na guerra", comenta Douglas.O escritor já tem pronto um esboço do roteiro do curta-metragem, que deverá ter uma duração entre 15 e 20 minutos. Sua idéia é misturar ficção com realidade, a partir do depoimento de Primo Paulossi, que serviu com cabo na guerra. Ele conta uma história digna de um roteiro cinematográfico: ferido por uma bomba, ficou escondido durante um longo dia em um córrego, próximo a Monte Castello, até ser socorrido. "Ele diz, com emoção, que, enquanto estava sozinho, pensava nos familiares e acreditava que iria morrer." Quem quiser participar do curta-metragem pode entrar em contato com o escritor, em Sorocaba, pelo telefone (15) 222-1735. Os interessados em divulgar seus projetos e pedidos de patrocínio nesta seção devem enviar fax para (11) 3856-2935 ou pelo e-mail patrocinio@estado.com.br.

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