Curta brasileiro premiado em Chicago

Pode parecer presunção, mas Carlos Adriano está tão seguro da validade de sua proposta de cinema que não se abala com a eventual rejeição que seus curtas Remanescências e A Voz e o Vazio, a Vez de Vassourinha sofreram no País. Mas não deixa de haver uma satisfação íntima com o verdadeiro tapa com luvas de pelica que ele pode dar agora nas comissões de seleção dos festivais de Gramado e Brasília, que recusaram seu curta sobre o lendário sambista de São Paulo.A Voz e o Vazio recebe dia 16 a Placa de Ouro como melhor documentário de curta e média metragem do 36.º Festival de Chicago. A mostra começou na quinta-feira e vai até o dia 19, mas Carlos Adriano já sabe que venceu. O júri de curtas e médias reuniu-se com antecipação. Com base no resultado, a comissão organizadora já lhe enviou o comunicado da vitória. Adriano não sabe quem são os jurados dessas categorias, mas não pode deixar de ressaltar o que lhe parece a coragem dessas pessoas.Elas entenderam perfeitamente a audácia de sua proposta estética. E venceram barreiras. Os organizadores do Festival de Chicago queriam que Adriano exibisse o filme com legendas. Ele se recusou. Acha que a proposta de A Voz e o Vazio está toda nessa maneira de trabalhar a imagem e o som. Exibir o filme com legendas seria trair essa proposta. A Voz e o Vazio já passou, também sem legendas e com sucesso, nos festivais de Roterdã, Toronto e Oslo. Adriano anuncia que, logo a seguir, A Vez de Vassourinha deverá participar, de 3 a 11 de novembro, do 24.º New York Margaret Mead Festival, um evento destinado a documentários que privilegia um leque muito diversificado - de filmes etnográficos a obras de vanguarda.Embora seja considerado um grande sambista, Mário Ramos, o Vassourinha, que morreu em 1942, aos 19 anos, é um personagem meio misterioso. Deixou poucos registros - 12 fotos, 12 músicas gravadas em seis discos de 78 rotações. Parece pouco, não para Adriano, que fez, com apenas 11 fotogramas que restaram de uma suposta filmagem feita por José Roberto Cunha Telles, há mais de cem anos, esse curta maravilhoso que é Remanescências.

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