Curta brasileiro disputa prêmio em Berlim

Patrícia Moran embarca cheia deexpectativa para Berlim. Seu curta, Plano-Seqüência, comPaulo César Peréio, participa da competição, concorrendo commais 13 filmes na categoria de curta-metragem. É a únicaprodução brasileira com chances de ganhar o ouro no 53.ºFestival de Berlim. Se ganhar o Urso, Patrícia estará repetindoa façanha histórica de Jorge Furtado, que já ganhou com Ilhadas Flores. A expectativa da diretora vai além dessapossibilidade de premiação. Com ela, vai a produtora Sara Silveira. As duas vãotentar conseguir parcerias européias para o longa que Patríciapretende realizar tão logo levante o patrocínio. "Berlim é uma grande vitrine e não podemos perder essaoportunidade", diz a diretora de Plano-Seqüência. O curtapassou no Festival Internacional de São Paulo e também nosfestivais do Rio Br-2002 e de Brasília, no ano passado. Nãoconseguiu nenhum prêmio, ao contrário do curta anterior dePatrícia, Clandestinos, que foi laureado em várias mostrasnacionais. "Acho que no Brasil não gostaram de mim", dizbrincando a diretora. Ela inscreveu seu filme na mostra competitiva de Berlim2003, sem muita confiança de que seria selecionada. O chamadopara concorrer ao Urso de Ouro deixou-a feliz. Ela embarcaamanhã (06) para assistir à exibição do filme na sexta-feira. Outros três diretores brasileiros também estãoembarcando para a capital alemã. Terão seus filmes exibidos forade concurso, em duas importantes sessões paralelas da Berlinale,o Fórum e o Panorama. A primeira abrigará "Rua 6, Sem Número",de João Batista de Andrade, e "Amarelo Manga", de CláudioAssis; a segunda, "O Homem do Ano", de José Henrique Fonseca.Andrade é reconhecido como um dos grandes diretores do cinemabrasileiro e também como um dos cineastas mais politizados doPaís. Em seu novo filme, ele investiga a periferia de Brasília,discutindo as relações de poder na sociedade brasileira atual.Andrade já havia mostrado seu filme ao repórter no ano passado.Revela que fez muitas mudanças, na versão selecionada para oFórum de Berlim. "Você vai ter uma surpresa ao assistir aofilme", anuncia. "Amarelo Manga", de Cláudio Assis, fez sensação noFestival de Brasília do ano passado. O diretor leva para o Fóruma vitalidade do novo cinema recifense, com uma amostragembastante original das relações interpessoais na capitalpernambucana. O Homem do Ano, de José Henrique Fonseca,selecionado para o Panorama, baseia-se no livro O Matador,de Patrícia Melo. Outro importante escritor, Rubem Fonseca,assina o roteiro. "O que me atraiu no livro foi o própriopersonagem principal, um homem indeciso entre dois caminhos:casar, ter uma família e viver pobre honestamente, ou entrarcada vez mais no mundo do crime, no qual é respeitado", explicao diretor Fonseca. Ao discutir, se o que impulsiona o personagemMáiquel, o destino ou a influência do meio ambiente, Fonseca naverdade está preocupado em questionar se o futuro do seu heróitrágico foi traçado pela fatalidade, como nas tragédias gregas,ou pela sociedade corrupta em que vive. Murilo Benício é ointérprete do papel. Já incursionou pelo policial à brasileirano ótimo Os Matadores, de Beto Brant, que tem esse títulopróximo ao do livro de Patrícia Melo. Rubem Fonseca, autor prestigiado, trabalha normalmenteem roteiros originais. O que o levou a aceitar a tarefa deadaptar o romance de Patrícia? Pode ter sido uma troca defavores, pois Patrícia assinou o roteiro de Bufo &Spallanzani, que Flávio Tambellini realizou a partir do livrode Fonseca. A principal motivação porém foi outra. "Além daadmiração que sinto pela autora do livro, o que me motivou foi odesafio de adaptar um texto que rompe com as convicçõesliterárias, ao contar, num estilo asfixiante, apoiado numaestrutura aparentemente caótica, uma história de violência e desombra, de medo e ódio, de conflito social e crime, na qualPatrícia examina num cáustico humor e pungente sensibilidade, asituação simultaneamente frágil e nefanda da condição humana",explica o escritor, num texto que pode ser lido na íntegra, nosite do filme, www.ohomemdoano.com.br. Fonseca também vai aBerlim cheio de expectativa. A Berlinale, afinal de contas, é umdos três maiores festivais de cinema da Europa, quem sabe domundo, com Cannes e Veneza.

Agencia Estado,

05 de fevereiro de 2003 | 17h43

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