Culto à imagem é tema de novo longa de Agnès Jaouï

Questão de Imagem, que estréia hoje, é outro belo filme da diretora e atriz Agnès Jaouï, que já conquistou o público com O Gosto dos Outros, que permaneceu meses em cartaz nos circuitos alternativos de São Paulo. Com seu parceiro, na arte e na vida, Jean-Pierre Bacri, Agnès há tempos queria falar sobre o culto do sucesso na sociedade da imagem. Pareceu a ambos que seria óbvio demais falarem sobre o cinema. Escolheram o meio editorial e assim foram surgindo os personagens. São quatro, basicamente. Um escritor consagrado, em crise de inspiração e tirano por natureza. A filha deste homem, um tanto traumatizada pela aparência - é gordinha e menos sexy que a jovem namorada do pai -, mas cujo grande desafio é provar o próprio valor, afirmando-se como cantora lírica. A dupla restante é formada por um casal - a professora de canto da garota e seu marido, um jovem escritor que acaba de ser descoberto pela crítica e desponta como grande valor literário. Ambos são convidados à casa de campo do escritor famoso. É curioso que Agnès e Bacri, autores do roteiro, tenham escolhido os personagens que interpretam. Ele faz, com propriedade, o tirano, cujo sarcasmo demolidor consegue tornar convincente. Agnès reservou-se o papel mais discreto de todos. Sua personagem pode querer reconhecimento para suas qualidades, mas certamente não busca a celebridade. Os personagens, mesmo os que parecem mais forte, são todos frágeis - fragilizados por suas frustrações, que decorrem tanto de inseguranças pessoais devido a metas não atingidas quanto ao comportamento (às traições?) dos que lhe são próximos. Agnès não idealiza essas figuras. É uma diretora que não tem medo da vida. Seus personagens são simpáticos e antipáticos, envolventes e odiosos quase que em igual proporção. Para o bem e para o mal, você pode se identificar com personagens assim. E Questão de Imagem fica melhor por isso.

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