Cuarón teve de esperar evolução da tecnologia para fazer ‘Gravidade’

Diretor do filme indicado a dez prêmios no Oscar 2014 dá detalhes sobre os quase cinco anos de preparação para o longa

Ian Spelling, The New York Times

21 de fevereiro de 2014 | 18h22

Sete anos depois de dirigir seu último filme, Alfonso Cuarón finalmente retornou ao cinema com Gravidade, um drama de ficção científica com Sandra Bullock e George Clooney. Foram quase cinco anos para terminar a ambiciosa produção, em parte porque o cineasta e seu filho e corroteirista, Jonas, tiveram de esperar que a tecnologia de filmagem evoluíssem para encontrar as ambições que tinham. Agora, o longa concorre a dez prêmios no Oscar 2014.

“A demora valeu a pena. Ou assim espero”, diz Cuarón. “Agora está fora das minhas mãos. Mas, ao menos como aprendizado, valeu a pena.” Não só isso: ele já venceu o Globo de Ouro de melhor diretor e o Director’s Guild Award de melhor filme.

“Toda a equipe envolvida na pós-produção foi muito crítica. Víamos o que queríamos aplicar no próximo filme e o que nunca faremos novamente. Digo que a única razão para fazer um filme é aprender para o próximo longa, e aprendemos muiro com este.

Bullock interpreta Ryan Stone, que está em sua primeira missão espacial, ao lado de Clooney, que é o veterano Matt Kowalsky, em sua última viagem. Ela está prestes a ter um ataque de nervos, e ele, acostumado que está com tudo aquilo, faz piadas e aproveita cada instante. Quando tudo dá errado, os dois são os únicos sobreviventes em órbita. Juntos, têm de controlar o pouco tempo e oxigênio restantes para chegar a uma outra estação e tentar voltar em segurança para a Terra.

“O filme é definitivamente a história desta mulher. Muitos aspectos da história são metafóricos. Se você vê um personagem vagando no espaço, em direção ao vazio, ela está vagando em direção a um vazio literal e psicológico. Stone é uma vítima de sua própria inércia, literal e psicologicamente”, explica o criador.

“Para mim, esta é uma história sobre a adversidade, a solidão, a mortalidade, nossos medos primários e a possibilidade de um renascimento. Com isso quero dizer conhecimento, uma nova sabedoria e apreciação de nós mesmos e do mundo que nos rodeia. Quando vê o filme, você toma parte de todas essas emoções”, justifica.

Clooney apresenta uma performance poderosa, com seu personagem, o astronauta Kowalsky, servindo como uma voz de calma e razão tanto para a personagem de Sandra quanto para o público. Já Bullock, está em quase todas as cenas à beira do pânico. O diretor diz que não tinha a menor esperança de escalar a atriz para o papel. Ele não a conhecia, e tinha ouvido que ela tirara um tempo para ficar com a família. Ainda assim, resolveu enviar uma cópia do roteiro, e resolveu uma resposta afirmativa para o convite para um encontro. A reunião acabou durando quatro horas.

Divulgação

 

“Nessas quatro horas, não falamos do espaço ou da tecnologia. Apenas do tema do filme, da adversidade, da resposta emocional da personagem ao que lhe acontecia. Então, Sandra começou a falar sobre maneiras interessantes de dar forma à astronauta e à sua jornada. Ao fim do encontro, disse pro meu produtor, David Heyman, que tínhamos encontrado Ryan Stone. O problema era que ela não queria trabalhar.” Felizmente para Cuarón, alguns dias depois a atriz entrou em contato demonstrando seu interesse em participar do projeto.

“Tanto ela quanto George passaram por um sério exercício de foco, porque estavam cercados por tecnologia. Foi incrível como atuaram bem, agindo como se nada daquilo existisse. Tudo girava em torno da atuação e das performances deles.”

TRADUÇÃO DE CLARICE CARDOSO
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