"Cruzada" mostra origem de problemas atuais

Ridley Scott adora épicos históricos, seja qual for a época em que se concentram. A partir de Os Duelistas (1977) e até Cruzada, que tem estréia mundial hoje, Scott usa certos períodos como pano de fundo para retratar trajetórias de superação individuais, como a de Maximus em Gladiador, ou de um grupo de pessoas, como os soldados comandados pelo general Garrison em Falcão Negro em Perigo.Em Cruzada, o herói é Balian (Orlando Bloom), inspirado em um personagem histórico do século 12 sobre o qual pouco se sabe. No filme, ele surge como um ferreiro bastardo que perdeu o filho, morto por causa de uma doença; a mulher, que se suicidou de tristeza, e - com eles - a fé em Deus. O pai, o nobre Godfrey de Ibelin (Liam Neeson), descobre o rapaz no vilarejo. A transformação pela qual Balian passa ao longo do filme forma o fio condutor da história, embalada também por um romance com a belíssima princesa Sibylla (Eva Green, de Os Sonhadores). O roteirista William Monahan disse em algumas entrevistas que Balian pode ser comparado a Maximus, no sentido de que, enquanto este começa gladiador e supera uma adversidade, o ferreiro passa o filme inteiro tentando se superar e virar um cavaleiro. Monahan, porém, está sendo acusado de plágio pelo escritor James Reston J.R., que o acusa de ter roubado a trama do livro Guerreiros de Deus: Ricardo Coração de Leão e Saladino na 3ª Cruzada. Há dois personagens que fazem a ponte com o presente. São o rei leproso Balduíno IV, interpretado de forma brilhante por Edward Norton atrás de máscaras de prata e ataduras, e o grande herói do mundo árabe Saladino (o ator e historiador sírio Ghassan Massoud). O período de paz em Jerusalém, entre a Segunda e Terceira Cruzadas, só foi possível na época em que houve equilíbrio entre os líderes.

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