Divulgação
Divulgação

Crô de Marcelo Serrado foi inspirado no documentário 'Santiago'

Ator conta que assistiu ao longa de João Moreira Salles para desenvolver o personagem

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

28 de novembro de 2013 | 19h23

João Moreira Salles que não nos ouça, mas veio dele a inspiração para Marcelo Serrado criar Crô. “Quando Aguinaldo Silva me propôs o personagem na novela Fina Estampa, fiquei atraído, mas não sabia direito como me aproximar dele. Cristiane Torloni (a patroa na trama da Globo) foi quem me sugeriu. Me disse que visse o Santiago, do João. Foi decisivo.” Santiago é o documentário de João Moreira Salles sobre o mordomo da casa de seu pai, o banqueiro Walter Moreira Salles.

Além de ser o maior documentário do cinema brasileiro – e olhem que existe também Cabra Marcado para Morrer do Eduardo Coutinho –, Santiago tem aquele personagem incrível que marcou a infância dos irmãos Salles. “Descobri com Santiago o negócio das mãos. Ele fala com as mãos, pelas mãos (e Serrado gesticula no ar). Achei meu personagem.” Crô virou ídolo do público – o gay dedicado à patroa e cujos desejos permanecem nebulosos. O público da TV não se interessa pelo primeiro beijo gay nem pelo casamento entre iguais. Gosta de bicha má, como o Félix de Amor à Vida, ou de uma ‘amélia’ neurótica como Crô.

Bruno Barreto dirige o filme que estreia nesta sexta. Ele pode ter se decepcionado com a bilheteria de Flores Raras, sobre a poeta Elizabeth Bishop, mas põe fé no sucesso de Crô – O Film. Barreto não pensa apenas comercialmente. Ele realmente gosta do filme, elogia seu elenco – e Serrado. Quando surgiu a ideia do filme, Serrado imediatamente fez a pergunta – quem vai escrever? Aguinaldo? O pai da criança imaginou a nova trama – Crô herdou uma fortuna, mas não sabe o que fazer da vida. Precisa de uma nova patroa para infernizá-lo. E seleciona candidatas.

A trama envolve quadrilha que explora costureiras andinas (o mote da peça Bom Retiro). O dublê de motorista e segurança Zoiudo (Alexandre Nero) segue presente, e desta vez sem uma mulher, o que abre caminho para a realização das fantasias de Crô. Barreto faz com que a mãe do protagonista seja interpretada por Ivete Sangalo. “Ele incorpora a Ivete, até fisicamente, e ela passa a ser seu modelo”, define o diretor. Serrado arremata – “Crô é um personagem que agrada muito as crianças.” A impropriedade até 12 anos não inibe a expectativa da distribuidora Paris. Sucesso à vista?

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.