Críticos árabes elogiam "Cruzada", de Ridley Scott

O novo filme de Ridley Scott, Cruzada, que narra a batalha entre cristãos e muçulmanos no século 12, ganhou elogios de críticos de alguns países no mundo árabe. "O filme vai bem de encontro ao fanatismo religioso", afirmou o escritor libanês Amin Maalouf.O épico do diretor britânico também passa ao largo dos batidos estereótipos de muçulmanos. "O objetivo do filme é curar feridas, não reabri-las", afirmou o crítico de cinema egípcio Tarek al-Shenawy.Antes do lançamento do longa-metragem, muitos temiam que ele fosse acirrar ainda mais os ânimos no já tenso clima entre cristãos e islâmicos. Um crítico chegou a insinuar que o filme poderia provocar crimes de ódio religioso.No entanto, as reações ao filme, que tem como protagonista astro de O Senhor dos Anéis Orlando Bloom, têm sido positivas."Árabes e muçulmanos normalmente aparecem como selvagens sanguinários nas produções hollywoodianas", afirmou Deana Elimam, uma egipto-americana. "Cruzada é bem mais justo, os árabes e muçulmanos são melhor retratados."O escritor Maalouf também afirmou que "tudo aquilo que vai de encontro ao ódio, ao fanatismo e à oposição sistemática entre esses dois mundos é bem-vindo. A minha impressão é de que as cenas históricas foram bastante precisas. O espírito daqueles tempos está lá", completou.Já o acadêmico As´ad Abu Khalil criticou a cena em que Baliam, o personagem de Bloom, um ferreiro que se lança às Cruzadas, parece explicar camponeses árabes como irrigar uma plantação."Fiquei muito decepcionado quando o herói do filme tomou as suas terras e, com a sua típica ´genialidade ocidental´, ensinou aos árabes ´inferiores´ como cavar para encontrar água, como se eles já não o estivessem fazendo há séculos", disparou AbuKhalil.O crítico Shenawy afirmou que gostaria de ter visto mais cenas com o ator muçulmano Ghassan Massoud, que interpreta Saladin. "Você vê apenas reflexos do heroísmo dele." No entanto, o crítico admite que Ridley Scott não poderia agradar a todos e diz que já é suficiente que o diretor tenha apresentado algum equilíbrio na narrativa.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.