Crítico revela os bastidores do Festival de Cannes

Existe sempre uma festa, mesmo que seja um pequeno jantar, para comemorar a exibição dos filmes que concorrem à Palma de Ouro. O tamanho da festa depende, obviamente, do capital disponível por parte de quem produz. Sofia Coppola está fazendo duplamente história em Cannes este ano. Marie Antoinette é o filme mais caro da competição e, talvez, por isso, teve a festa mais extravagante, regada a champanhe, chá de jasmim importado da idéia (há uma cena que explica essa opção), fogos de artifícios e pratos exóticos da culinária francesa. Não ficou muito claro se foi a produtora American Zoetrope ou a distribuidora Sony que arcou com os custos, mas alguém assinou o cheque de 900 mil euros, o que ultrapassa o milhão de dólares. Sofia recebeu nesta sexta-feira o Chien d`Or (cachorro de ouro), prêmio que um júri paralelo, formado por cinófilos (mais do que cinéfilos), atribui a um filme que retrate bem o universo canino. Marie Antoinette vive cercada de cães. Seu Chien d`Or, mesmo assim, é discutível, porque em matéria de cachorro, na competição, nenhum supera o do filme de Aki Kaurismaki, Les Lumières du Faubourg. Ainda no departamento canino de Cannes, a Palme Chien foi para o filme alemão Ping-Pong, exibido na Semana da Critica.Brasil recebe prêmio de melhor roteiro de curtaPor falar em Semana da Critica, o Brasil ganhou o prêmio de melhorroteiro de curta, que não estava previsto inicialmente, mas foi criado para recompensar Alguma Coisa Assim, de Esmir Filho. O filme sobre a crise de identidades e sentimentos de um casal jovem é muito bonito. Ela o arrasta a uma boate e praticamente o atira nos braços de um sujeito, convencida de que é o que ele quer e mesmo que isso lhe cause grande dor, pois ela ama o rapaz. Mas ele não tem certeza e isso é que torna o curta complexo e interessante. No Brasil, ele será exibido com cortes. A Cultura Inglesa, que produziu Alguma Coisa Assim pensando numa platéia teen, achou demais a cena do beijo entre os dois homens. A empresa pode até ter sua justificativa, mas o filme é delicado, muito bem feito e mereceria passar na íntegra, como aqui.Imprensa assiste a Cronica de Una Fuga e El Laberinto del FaunoNa sexta à noite, a imprensa assistiu ao filme Cronica de Una Fuga, do argentino Israel Adrián Caetano, sobre a fuga de dois caras acusados de subversão numa prisão clandestina da ditadura militar, em 1977. Neste sábado de manhã, outro filme em língua espanhola, El Laberinto del Fauno, de Guillermo del Toro. O segundo é mais bem-sucedido e, na verdade, bem que poderia (ou poderá) estar entre os vencedores do festival, na entrega dos prêmios de domingo à noite. Como Espinha do Diabo, que Del Toro realizou antes, Laberinto conta uma história fantástica desenrolada durante a Guerra Civil na Espanha. O diretor logra um clima mágico e inquietante e quase faz pensar em O Espírito da Colméia, de Victor Erice, um dos maiores filmes espanhóis de todos os tempos. Laberinto conta a história dessa garota que pode ser filha de rei e precisa vencer três provas propostas pelo fauno até reencontrar o pai, do qual se separou em tempos imemoriais. O reencontro ocorre na quadro da guerra na Espanha, quando a mãe da menina está para dar à luz o filho de um capitão franquista particularmente brutal. O personagem é interpretado por Sergi Lopez.

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