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Crítica: 'Pixels' é versão game de 'Gente Grande' para fãs da Comic-Con

Heróis destrambelhados prestam-se a todo tipo de piadas

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

23 Julho 2015 | 04h00

Já existe um pouco disso em Homem-Formiga, mas justamente por Pixels não ser produção da Marvel não se pode dizer que seja coisa da empresa que está ditando as cartas nos blockbusters de Hollywood. Em Pixels, a trama nonsense, embora inspirada em videogames antigos (pioneiros?), propõe o improvável, mas perfeitamente possível, encontro entre Guardiões da Galáxia e Caça-Fantasmas. Dan Aykroyd não está ali por acaso para apresentar o torneio de jogos na abertura nem o parceiro de Adam Sandler e Kevin James se assemelha tanto a Rick Moranis para isso não querer dizer nada. E existem os ‘fantasmas’ que eles caçam, como forma de combater os invasores alienígenas.

Algo quer dizer essa nova preferência pelos freaks como salvadores da Terra. Competentes, apesar deles. O nonsense instala-se logo após o prólogo, com o torneio de games vencido por Peter ‘Game of Thrones’ Dinklage. Vamos descobrir mais tarde alguma coisa sobre as circunstâncias daquela vitória, mas é o que basta para que Sandler, relegado ao segundo lugar, veja-se a si mesmo como loser - perdedor. E de nada adianta o amigo, que virará Kevin James, tentar consolá-lo. Passa-se o tempo e ei-los todos como ‘gente grande’, justamente a comédia em que Sandler, James e outros dividiram o estrelato.

James virou presidente dos EUA, com a popularidade despencando, mas ela sobe, e vertiginosamente. Sandler virou instalador de antenas, ou coisa que o valha, e é assim que frequenta a intimidade do presidente. O torneio do início, gravado pela Nasa e enviado numa sonda como cartão de boas-vindas da Terra, é recebido como declaração de guerra num planeta distante. Os ETs criam monstros digitais inspirados nos jogos e... Começa a guerra. Se os Pixels vencerem, bye-bye Terra. O nonsense de Pixels, o filme, é que só os fracassados de ontem (e hoje) poderão virar o jogo.

Chris Columbus criou fama como formatador de séries - Esqueceram de Mim, Harry Potter, etc. Seu problema, às vezes, é ser devagar, que o diga a arrastada adaptação de O Homem Bicentenário, com Robin Williams. Em Pixels, é surpreendente a forma como ele assimila o ritmo vertiginoso dos games. O filme é cheio de piadas - verbais e visuais. Não poupa nada nem ninguém. Políticos, séries de TV, blockbusters. Nossos heróis se envolvem com mulheres de verdade ou digitalizadas. Um tem filhos bizarros (espere até o fim dos créditos). A diversão é garantida. Tantas referências, tantas citações, não são coisa de descerebrados, mas de ‘gente grande’. É a suprema piada - os adultos da geração Comic-Con.

 

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