Scott Yamano/Netflix via AP
Scott Yamano/Netflix via AP

Crítica: ‘O Halloween do Hubie’ de Adam Sandler é bom

A produção mais recente de Billy Madison pode não parecer especialmente distinguível do resto da produção recente de Sandler para a Netflix. Em muitos aspectos, não é

Jake Coyle, AP

09 de outubro de 2020 | 11h02


Falando em termos de Adam Sandler, a distância entre sua atuação frenética e insana de Joias Brutas no ano passado e sua nova comédia na Netflix, O Halloween do Hubie, é grande, mas talvez não seja tão vasta quanto parece.

Ambos os filmes trazem Sandler interpretando alguém que romantiza alguma coisa desproporcional (uma joia rara em Joias Brutas, o Halloween em O Halloween do Hubie), uma aparição de ex-estrela da NBA (Kevin Garnett em Joias Brutas e Shaquille O’Neal em O Halloween do Hubie) e June Squibb vestindo uma camiseta que diz “Vem ni mim que tô facinha”.

OK, este último elemento não está em Joias Brutas, mas você não o descartaria do universo dos irmãos Safdie. Sim, as oscilações de Adam Sandler pelos reinos do cinema parecem ter ficado ainda mais esquizofrênicas nos últimos anos, quando sua fábrica na Netflix lançou várias porcarias junto com algumas pérolas ocasionais, como Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe e Joias Brutas. Mas aí é que está: O Halloween do Hubie é bom.

Sim, também fiquei meio surpreso com isso. A produção mais recente de Billy Madison pode não parecer especialmente distinguível do resto da produção recente de Sandler para a Netflix. Em muitos aspectos, não é. Tem a maioria de seus amigos habituais (Kevin James, Tim Meadows, Rob Schneider) e é dirigido por Steven Brill, responsável por Sandy Wexler, Zerando a Vida, A Herança de Mr. Deeds e Little Nicky - Um Diabo Diferente. São filmes feitos com só um pouco mais de reflexão do que um compacto de jogo de basquete.

 


E, no entanto, parece que já faz um tempo que não era tão divertido ver Sandler e companhia em ação. Sandler, já inextricavelmente ligado ao Dia de Ação de Graças, agora deixou uma marca também no Halloween. Talvez seja porque seus filmes às vezes parecem feriados prolongados (e muito bem pagos) com os amigos – mas esses feriados parecem estar funcionando muito bem para ele.

O destino desta vez é Salem, Massachusetts, onde Hubie Dubois (Sandler) é um rapaz atrofiado que carrega uma garrafa térmica e que é alvo de piadas desde o colégio, ridicularizado por seu jeito apagado e seu bom coração. É um protagonista imediatamente familiar para Sandler – primo de Canteen Boy e irmão de Bobby Boucher, de O Rei da Água. Hubie, aficionado pelo Halloween que, mesmo assim, se assusta facilmente com as decorações da temporada, se autodenominou “monitor” oficial da festa em Salem.

Morando com sua mãe (Squibb, vestida com uma série de camisetas de zoeira), Hubie anda de bicicleta pela cidade com a faixa do monitor pendurada no peito e uma garrafa térmica cheia de sopa sempre na mão. Ele é regularmente ridicularizado por quase todos na cidade, jovens e velhos, mas sua velha paixão do colégio (Julie Bowen, jogando comicamente fora da sua posição) é uma das poucas pessoas que reconhece e valoriza a doçura de Hubie. Quando um mistério se instala e as pessoas começam a desaparecer, Hubie é o primeiro a reconhecer o perigo. Como ele também tem o hobby de produzir relatórios para a polícia, os policiais locais (Kenan Thompson, James) aprenderam há muito tempo a ignorar seus alertas.



Tudo é só um pretexto para Sandler fazer uma voz engraçada e cair de bunda, mas a voz é bem engraçada e as quedas também. Até mesmo o design de produção está um pouco melhor do que você poderia esperar. Mas, acima de tudo, o conjunto de habitantes da cidade ajuda muito. Tem alguém que não gostaria de ver um filme com Steve Buscemi como lobisomem, Michael Chiklis como um padre mal-humorado, Ray Liotta como qualquer coisa e Maya Rudolph fantasiada de Noiva de Frankenstein, interpretando a esposa insatisfeita de Tim Meadows?

As piadas nem sempre são o melhor material de Sandler, mas O Halloween do Hubie é tão doce e fácil de digerir quanto uma barra de chocolate. Depois dele, Joias Brutas e seu melhor e mais terno especial de stand-up (Adam Sandler: 100% Fresh, título que faz referência a suas pontuações de crítica geralmente baixas), o Sandler-verso se encontra, estranhamente, numa espécie de perfeita harmonia. Talvez estejamos precisando mais do que nunca de uma boa e velha diversão meio estúpida, e O Halloween do Hubie é inteligente o bastante para fazer coisas estúpidas da maneira certa. E Steve Buscemi de lobisomem, pelo menos, deve ser um antídoto para alguma coisa.

O Halloween do Hubie, lançamento da Netflix, tem classificação indicativa de 13 anos pela Motion Picture Association of America por seu conteúdo grosseiro e sugestivo.


TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

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