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Crítica: ‘Minions’ começa bem, mas se complica no miolo

Animação de Pierre Coffin prova que amarelinhos dependem do vilão

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

29 de junho de 2015 | 03h00

Começa muuuuito bem – os 10 ou 15 minutos iniciais, que contam a gênese dos minions e sua vocação para o ‘mal’ – divertem. Termina legal, quando os serezinhos amarelos finalmente descobrem seu malvado favorito – o filme inteiro dedicado aos capangas de Gru é, na verdade, uma prequel, mostrando o que ocorre com eles antes do encontro com o vilão. O problema de Minions é o miolo. E também uma questão de conceito.

Minions veio somar-se a outra animação em cartaz – Divertida Mente, da Pixar. Inside Out (título original) tem as melhores qualidades que a própria Pixar andava negligenciando com o excesso de sequências que vinham dando o tom da produção do estúdio. Pete Docter, o Docter Pixar, novamente repõe o estúdio nos trilhos. Divertida Mente é o melhor filme da Pixar desde... Up/Altas Aventuras, que ele próprio dirigiu.

Uma sobre um velho (Up), outra sobre o que se passa na cabeça de uma menina (Inside Out) , essas animações da Pixar não apenas têm uma pegada ‘cabeça’. Lidam com temas profundos (tristeza, perda, finitude). São bem estruturadas e animadas. Possuem personagens cativantes. As crianças gostam, seus pais mais ainda. O problema é que, enquanto a Pixar prioriza a história e estabelece um arco dramático para satisfazer adultos e crianças, a série Meu Malvado Favorito prioriza o público mirim.

Basta ver Minions como fez o repórter, numa sessão da tarde de sábado – lotada de crianças. Elas morrem de rir com as maldades dos minions porque, mais que maldades, são trapalhadas. O começo conta como eles evoluíram do mar. Em terra firme, assumem sua vocação de lacaios de algum malvado e saem à sua procura. Só que são desastrados e a única coisa que fazem é eliminar os malvados que vão escolhendo. As mortes não implicam em perdas. São simples, ou robustas, diversões. O desfecho com o dinossauro chegou a ser aplaudido em cena aberta no PlayArte Marabá.

No miolo, porém, evidenciaram-se dois grandes problemas. 1) Os minions surgiram como coadjuvantes e como tal deveriam ter permanecido. 2) Como falam uma língua incompreensível, não dizem coisa com coisa e o humor repete-se nas mesmas piadas ‘físicas’ – nas mesmas trapalhadas? Na trama, os amarelinhos, destituídos de malvados a quem servir, caem no mundo (três deles) tentando suprir a lacuna. O ano é 1968, o que incrementa referências ao rock’n’roll. O trio descobre que há uma convenção de malvados em Orlando e é nela que se liga a Scarlet Overkill – Sandra Bullock nos EUA, Adriana ‘Carminha’ Esteves no Brasil. O plano de Scarlet de roubar a coroa da rainha da Inglaterra é o centro da trama.

Não apenas a vilã é meia-boca como os minions comedores de bananas ficam meio docinhos (e enjoados). O mal só triunfa nos minutos finais, e a chegada do malvado favorito provoca (ou provocou) nova onda de aplausos no Marabá. Deu para salvar a sessão, mas foi pouco para fazer de Minions uma animação memorável. Meu Malvado Favorito, pelo menos, tinha a mãe do vilão, que roubava a cena. Se Scarlet tivesse metade de sua graça, a coisa teria funcionado.

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