UNIVERSAL PICTURES
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Crítica: 'Mamma Mia: Lá Vamos Nós de Novo' diverte mas, às vezes, falta história para tanta música

Até Benny e Björn, do ABBA, elogiam como ela se apropriou de ‘Fernando

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

04 Agosto 2018 | 06h00

Lá vamos nós de novo! Mamma mia... No segundo filme do que virou franquia – há promessa de um terceiro –, Sophie/Amanda Seyfried reabre, alguns anos após a morte de Donna, o hotel da mãe na Grécia. Meryl Streep morreu, mas antes que você comece a lamentar pode ficar tranquilo/a porque ela volta (pouco, é verdade). Se o primeiro filme era sobre a busca do pai, o segundo é sobre maternidade. Donna, quando jovem, estava tão absorvida por sua banda, The Dynamos – com as amigas Tanya e Rosie –, que não conseguia pensar em outra coisa. Bem, pensava em rapazes e teve pelos menos três relacionamentos intensos, como se viu no filme anterior. Ser mãe mudou suas prioridades, ela criou aquele hotel e o resto você sabe. Lá Vamos Nós de Novo é sobre filha e mãe.

Sophie tenta decifrar o passado da mãe. E dê-lhe flash-back com música. Meryl Streep demora para aparecer – uma participação especial – e as suas cenas no passado trazem uma novidade. Lily James possui graça, malícia e uma vontade de viver a vida com plenitude, e isso dá a medida de Donna quando jovem, revista pelas amigas e pelos homens de sua vida. E, claro, a grande atração é agora Cher, como a mãe de Donna. Não pode ser – Cher tem apenas três anos mais que Meryl. Ninguém se preocupa com isso. “Cher pode ser o que quiser e será sempre Cher”, disse o diretor Ol Parker. No filme ela tem um pretendente e canta para ele Fernando. Quando perguntavam a Benny e Björn, do ABBA, quem era Fernando, eles diziam que não tinham a menor ideia. Agora, sabem – Fernando é Andy García. “Cher se apropriou da música de tal jeito que agora é dela”, proclama a dupla nas redes sociais. Também acabam de lançar novas canções, as primeiras em muito tempo, e por isso já se fala em Mamma Mia 3. Quem Sophie/Amanda vai procurar agora? O próprio filho ou o marido, Dominic Cooper, que foi fazer um curso de hotelaria em Nova York.

Na tentativa de levantar o passado de Donna, a filha, naturalmente, colhe o depoimento de seus três ‘pais’ e das antigas parceiras, eternas amigas. Todo mundo canta – Colin Firth, Stellan Skarsgard, Pierce Brosnan apenas cantarola – e, às vezes, a impressão é de que falta história para emendar tantas canções. Para celebrar a passagem de Donna para Sophie como motor da narrativa há uma nova versão de Dancing Queen. E, claro, já que Mamma Mia continua no título, tem de haver também uma reinvenção da música famosa. Talvez seja – é – o melhor momento musical de Lá Vamos Nós de Novo, mesmo que Fernando seja de todas as músicas a que realmente ganha roupagem nova, graças a Cher.

Existem datas para celebrar – os dez anos do primeiro filme, lançado em 2008, os (quase) 20 do musical, que estreou no West End de Londres em 1999, os 30 anos do Oscar de Cher – por Feitiço da Lua, de Norman Jewison –, que ela recebeu em 1988, como melhor atriz de 1987. Cher! Nascida Cherilyn Sarkisian, ela acumula rótulos – Deusa do Pop, Rainha das Divas, Diva das Divas, Rainha da Reinvenção. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, vendeu 100 milhões de álbuns solos e 40 milhões de cópias como parte da dupla Sonny & Cher. Seus números são todos superlativos – única artista a cravar o primeiro lugar na Billboard nas últimas seis décadas. Vencedora do Oscar, do Grammy, do Emmy, de três Globos de Ouro, foi também melhor atriz em Cannes – por Marcas do Destino, de Peter Bogdanovich, em 1985. Feminista de carteirinha, não é só uma mulher. Virou uma instituição, e seu papel no filme confirma isso.

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