Disney/ Pixar
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Crítica: 'Lightyear' traça uma viagem sem rumo certo

O filme tem três objetivos: inserir nostalgia, encantar os mais velhos e, ainda assim, atrair as crianças

Matheus Mans, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2022 | 05h02

Lightyear começa com uma frase de impacto: o filme que estamos prestes a assistir é justamente aquele que fez Andy, o garotinho dono dos brinquedos de Toy Story, se apaixonar pelo personagem de Buzz Lightyear. Não é pouca coisa. Os que se lembram principalmente dos três primeiros longas da saga dos brinquedos que ganham vida sabem da importância de Buzz na vida do menino, que chega a ultrapassar a paixão por Woody.

Mas é impossível, durante o filme, não pensar se essa é uma história que realmente encantaria um garotinho como Andy. Por mais que se esforce, principalmente apostando em um visual encantador, o diretor Angus MacLane tem um problema central: não sabe quem é seu público. Lightyear, afinal, tem três responsabilidades na história: inserir nostalgia, encantar os mais velhos e, ainda assim, atrair as crianças.

Só que, nesse embate de forças, apenas a nostalgia realmente funciona. É legal saber de onde veio a história de Buzz e como nasceram algumas expressões icônicas, como “ao infinito e além”. De resto, a história assinada por MacLane e Jason Headley não tem um rumo definido. Fala sobre viagens no tempo, incluindo algumas complicações como Interestelar, mas os personagens são demasiado bobos e infantis.

Conexão

Três coadjuvantes (Darby, Mo e Izzy) repetem piadas o tempo todo e erram demais, chegando ao ponto de o vilão Zurg ter menos impacto na narrativa em comparação com as sabotagens desse trio de personagens. Fica chato. Por outro lado, falar sobre tempo de maneira tão complexa pode fazer com que os pequenos se divirtam com essas pequenas bobeiras de roteiro, mas sem nunca ter uma verdadeira conexão com a história.

Para quem foi feito Lightyear? É uma pergunta que resiste e, além disso, é complicado entender a Pixar. O estúdio colocou filmes como Red: Crescer É uma Fera e Luca direto no Disney+, enquanto Lightyear é, tranquilamente, o longa com mais cara de streaming do estúdio. Essa indecisão, no final das contas, custa magia. 

 

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