Paris Filmes
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Crítica: 'Lições' oferece o que o País tanto necessita: pertencimento

A morte de Paulo Gustavo deixou um luto na tela, a Turma da Mônica preencheu essa lacuna

Luiz Carlos Merten, Especial para o Estadão

30 de dezembro de 2021 | 05h00

Havia gente chorando – críticos – no final das sessões de imprensa do novo filme da Turma da Mônica – Lições. Daniel Rezende conseguiu. O primeiro filme com a turminha criada por Maurício de Souza já fora um sucesso de público e crítica. Baseado na graphic novel Laços, de Vítor e Lu Cafaggi, dava consistência ao universo ‘mauriciano’ graças a um elenco perfeito e a uma história bonita sobre amizade e companheirismo. Laços não sugeria, necessariamente, uma sequência, mas ela veio, e há que comemorar. 

Se no anterior a busca pelo cão abria todo um universo de aventura e fantasia, agora a trama parece mais ancorada na realidade. A escola. A turma apronta tanto que os pais são chamados e tomam providências. Uma tentativa de fuga tem como resultado a Mônica com o braço quebrado. Os pais agem para separar os filhos. As crianças são forçadas a encarar suas deficiências. Cebolinha, o troca-letras de Maurício de Souza, vai parar no fonoaudiólogo, Cascão vai fazer aulas de natação e Magali, como sempre esfomeada, é estimulada a controlar sua ansiedade com aulas de culinária. Os laços agora viram lições – de vida. 

Não apenas. Rezende ganhou projeção internacional como montador, com Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, e Tropa de Elite, de José Padilha. O realismo somou-se à abordagem crítica do universo infantil na estreia como diretor de longas – Bingo, o Rei das Manhãs

Com Laços, mudou o tom. A turma do Bairro do Limoeiro não foi apenas um experimento de dar vida a personagens que atravessam gerações no Brasil. Talvez seja mera conjectura, mas a grande perda do cinema brasileiro durante a pandemia foi a morte precoce de Paulo Gustavo, que privou seu público da persona de Dona Hermínia. A turma da Mônica pode estar preenchendo o que agora é lacuna. 

A história mistura aventura, comédia, pitadas de drama. Os personagens deixaram os gibis e ganharam vida na tela. Crianças crescem muito depressa. A Turma da Mônica chega, no pós-pandemia, como reflexo do que o Brasil inteiro está precisando. Pertencimento, afeto. Lições é muito bem-feito – Laços já era. A família do Brasil ganhou um espelho no cinema.

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