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Crítica: 'Kursk' traz a paternidade e o tempo que se esgota na obra do diretor

Traições à parte, há, na obra de Vinterberg, uma coerência muito grande

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2020 | 07h00

Há 25 anos, Thomas Vinterberg assinou com Lars Von Trier o documento Dogma, estabelecendo regras por um cinema mais realista e menos comercial. Festa de Família foi um estouro – o aniversário do patriarca vira campo de batalha quando papai é desmascarado como abusador dos próprios filhos. Após, Vinterberg seguiu uma trajetória irregular. Abandonou o Dogma Lars Von Trier já começou o movimento dando para trás. Nada de falsidade, mas em Os Idiotas, seu primeiro filme do Dogma, recorreu a profissionais na cena em que, supostamente, seus atores deveriam estar fazendo sexo explícito.

Traições à parte, há, na obra de Vinterberg, uma coerência muito grande. Desde Festa de Família e, depois, através de A Caça, A Comunidade, etc., seu cinema com frequência aborda o embate do indivíduo com o coletivo. Isso se faz presente em Kursk, que evoca a história real de 2000. Um acidente com um submarino nuclear na Rússia pós-soviética lança ao fundo do mar a tripulação condenada a morrer asfixiada. A Rússia de Vladimir Putin, que já era presidente, mas nunca é nomeado, não dispõe de tecnologia para o resgate. Os ingleses se oferecem, mas as autoridades temem que o incidente permita a revelação de segredos militares. Os homens vão morrer, e quando o socorro é enfim providenciado é tarde demais.

Isso tudo é real. Maldito governo. Na ficção de Vinterberg, como em boa parte de sua obra, senão toda, o tema é a relação entre pai e filho. O tempo que se esgota, e a paternidade. Matthias Schoenaerts preocupa-se com o legado que poderá deixar para o filho. Com os defeitos que possa ter – elenco internacional fazendo os russos de forma desigual – é forte. E emocionante.

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