Walt Disney
Walt Disney

Crítica: 'Frozen 2' tem pegada mais adulta

Produção se tornou aposta necessária da indústria depois que o primeiro filme converteu-se na animação mais rentável da história da Disney

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

02 de janeiro de 2020 | 06h00

Um Frozen 2 tornou-se aposta necessária da indústria depois que o primeiro filme, até de forma surpreendente, converteu-se na animação mais rentável da história da Disney, faturando estratosféricos US$ 1,2 bilhão na estreia. Não são poucos os críticos que veem Frozen, o 1, como um dos filmes mais influentes da década. Surgido em 2013, antecipou a questão do empoderamento que se tornaria dominante na indústria com outro megassucesso, Mulher Maravilha, de Patty Jenkins, em 2017.

Eis que surge Frozen 2, e com o filme voltam as irmãs Anna e Elsa e todos aqueles personagens que o público aprendeu a amar - Kristoff, Sven e Olaf. De novo a direção é compartilhada por Chris Buck e Jennifer Lee, mas ela assina sozinha o roteiro, adaptado de uma história clássica de Hans Christian Andersen, A Rainha da Neve. Recapitulando, o primeiro filme mostrava a reaproximação das irmãs, que haviam sido separadas. O superfaturamento estimulou o surgimento de um número sem fim de produtos associados, devidamente embalados pela canção Let It Go, que faturou o Oscar. Há agora uma mudança de ambiente, e por um momento as irmãs arriscam a perder-se novamente. De cara, Anna e Elsa, crianças, ouvem do pai a história da floresta encantada e de como monstros de pedra e uma rixa de mais de 30 anos atingiu o reino de Arendelle. Um misterioso chamado coloca o grupo em marcha, e a Anna caberá a quebra do encanto e a reintegração dos dois reinos no happy end que chega e é esperado, sem que isso signifique spoiler. Como diz um dos personagens na cantoria final, ‘Adoro finais felizes’.

A diferença - o filme passa-se quase todo na natureza - é que a história talvez tenha uma pegada mais adulta. Por se tratar de uma sequência, e da Disney, tudo fica maior e não será surpresa nenhuma se, no devido tempo, uma floresta encantada surgir nos parques temáticos do império do entretenimento. A questão é se Frozen 2 conseguirá igualar e até superar o 1. Maior nem sempre significa melhor, mas o filme, com mais canções, ou assim parece, funciona. O repórter viu-o na tarde de quarta, 1, numa sessão com crianças e, na primeira sessão do ano do Frei Caneca, como a sala não estava cheia, muitas crianças foram para os corredores dançar as músicas, num clima de festa. A trama gira em torno ao processo de desencantamento da floresta, mas também às tentativas mal sucedidas de Kristoff, ao longo de quase todo o filme, de se declarar para Anna, pedindo-a em casamento.

Confira o trailer do filme


Olaf, o boneco, ficou mais reflexivo e indagador de si mesmo, o que talvez o torne mais atraente para o público adulto, mas a formatação, e o nariz de cenoura, continuam irresistíveis para as crianças. Chamadas à aventura, as duas princesas continuam apresentando características distintas. Elsa busca sempre a liberdade de usar seus poderes sem medo e Anna tenta contê-la. Há toda uma metáfora da represa, o passado, que precisa ser destruída e da ponte, a união das irmãs, que precisa ser fortalecida para que o mundo siga seu curso. No grande desfecho, Arendelle quase é varrida do mapa - ‘quase’. A nova trilha, substituta de Let It Go, privilegia Some Things Never Change, Into the Unknown, Show Yourself e Lost in the Woods. E, sim, Fábio Porchat continua impagável como Olaf. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.