Cristo de Scorsese chega ao Chile após 16 anos

Depois de 16 anos de censura, A Última Tentação de Cristo poderá finalmente ser visto nos cinemas chilenos. Cerca de 350 assistiram ontem à tardia pré-estréia do filme de Martin Scorsese, em Santiago do Chile. O fim da censura no país é uma disposição do atual governo do presidente Ricardo Lagos.A Última Tentação de Cristo é uma adaptação para as telas do romance do grego Nikos Kazantzakis. O filme escandalizou as platéias mais conservadoras ao retratar um Cristo (papel de Willem Dafoe) multifacetado, vacilante e, eventualmente, violento. E o que entrou no centro dos debates, quando da estréia, foi se Cristo cedeu ao impulso carnal e dormiu com Maria Madalena.O escândalo repercutiu no mundo todo, a começar pelos Estados Unidos. Lá, uma igreja protestante ofereceu uma fortuna à Universal, que produziu o filme, na tentativa de adquirir (e destruir) os negativos. Chegou a São Paulo, onde o então prefeito Jânio Quadros tentou fechar os cinemas que o tivessem em cartaz. Iniciativas como essa só conseguiram multiplicar a expectativa pelo filme.No Chile, porém, a reação conservadora foi mais longe e teve mais sucesso. A tenaz resistência de movimentos como o "O Porvir do Chile", que alardeia defender "a moral e os bons costumes", conseguiu mantê-lo banido por todo esse tempo, com o argumento de que "avilta a imagem de Jesus" e "ofende os cristãos".Marco - Apesar da proibição nos cinemas, A Última Tentação de Cristo já se encontra em vídeo no Chile. Mas para Rodrigo Kostner, exibi-lo na tela grande é antes de mais nada "um ato simbólico" do fim da censura, da qual foram vítimas mais de mil filmes. Para o ex-ministro Heraldo Muñoz, um dos defensores do fim da censura, o país deu "uma passo rumo à tolerância".

Agencia Estado,

12 de março de 2003 | 12h12

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